O real registrou a segunda maior valorização em relação ao dólar entre 28 moedas globais em janeiro, considerando os dados até o fechamento do mercado na quinta-feira (29). Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, a moeda brasileira avançou 5,9% no período, ficando atrás apenas do peso chileno, que subiu 6,2%.
O desempenho do real superou o de diversas moedas relevantes, tanto de economias desenvolvidas quanto emergentes. Na sequência do ranking aparecem a coroa norueguesa, com alta de 5,77%, o dólar australiano, que avançou 5,63%, e o rand sul-africano, com valorização de 5,34%. A base de comparação utilizada foi o dólar Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central.
De acordo com o estudo, o dólar se desvalorizou em 22 das 28 economias analisadas. Em apenas cinco países a moeda americana apresentou ganho — Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Turquia e Índia — e, em um caso, na Arábia Saudita, houve estabilidade. Para o sócio da Elos Ayta, Einar Rivero, o movimento indica uma fraqueza global do dólar, mas com intensidades diferentes entre os países, com o Brasil entre os principais destaques positivos.
O resultado chama atenção também do ponto de vista histórico. A valorização do real em janeiro de 2026 é a maior desde janeiro de 2025, quando a moeda subiu 6,21%, e figura como a quarta maior alta para meses de janeiro desde 2020. Para a consultoria, trata-se de um início de ano estatisticamente incomum para o câmbio brasileiro.
O levantamento relembra que, desde 2020, o real acumulou episódios marcantes de desvalorização, como em março daquele ano, no auge da pandemia, quando caiu 13,46%. Outros momentos negativos ocorreram em junho de 2022, com recuo de 9,72%, e em junho e outubro de 2024, em meio a incertezas fiscais. Diante desse histórico, a performance de janeiro de 2026 sinaliza uma mudança relevante no humor do mercado.
No cenário internacional, o estudo destaca que o enfraquecimento do dólar não é uniforme. As maiores perdas foram registradas pela rúpia indiana, que caiu 1,96%, seguida pela lira turca (-0,99%) e pela rupia indonésia (-0,56%). O comportamento reforça que fatores domésticos continuam sendo decisivos para o desempenho das moedas, mesmo em um ambiente global mais favorável a ativos fora dos Estados Unidos.






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