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Primeira mulher conclui curso de elite da Marinha no Pantanal

por | dez 17, 2025 | Últimas notícias

Aos 22 anos, a militar Maria Júlia entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a concluir o Curso de Operações no Pantanal, da Marinha do Brasil, em 36 anos de existência da formação. O treinamento foi encerrado neste ano, em Ladário, no Mato Grosso do Sul, após quase dois meses de atividades intensas no bioma pantaneiro.

Promovido pelo 6º Distrito Naval, o curso prepara combatentes para atuar em áreas ribeirinhas e de difícil acesso, com foco em navegação, patrulhas, combate e sobrevivência em situações extremas. Dos 49 militares habilitados, apenas 23 conseguiram concluir a formação.

Maria Júlia integra a segunda turma de mulheres que ingressaram na Marinha do Brasil como fuzileiros navais. O interesse pela carreira surgiu ainda na infância, influenciado por filmes que retratavam a atuação de militares mulheres. Ao crescer, ela conta que chegou a desanimar ao descobrir que, por muito tempo, não havia espaço para mulheres como combatentes, situação que mudou com a abertura do primeiro concurso para fuzileiras navais.

Na família, ela é a primeira mulher a seguir a carreira militar, tanto pelo lado materno quanto paterno. Durante o curso, enfrentou desafios físicos, psicológicos e operacionais, apontando as marchas e as atividades aquáticas como os momentos mais difíceis do treinamento.

Segundo a militar, o tratamento durante o curso foi igualitário entre homens e mulheres, sem distinções. Um dos episódios marcantes foi a decisão de raspar o cabelo, escolha feita para evitar dificuldades durante o treinamento e manter igualdade em relação aos colegas.

Maria Júlia afirma que só percebeu a dimensão histórica da conquista no dia da formatura, ao ouvir o discurso do comandante do 3º Batalhão de Operações Ribeirinhas. O nome dela passou a integrar uma placa histórica da unidade, reconhecimento que descreve como uma sensação única e indescritível.

Após a conclusão do curso, a militar passou a receber mensagens de apoio de homens e mulheres. Para ela, a conquista representa mais do que um feito pessoal e serve de inspiração para outras mulheres, mostrando que, com preparo e dedicação, é possível alcançar espaços antes considerados inalcançáveis.

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