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Polícia Civil de Santa Catarina aponta adolescente como responsável pela morte do cão Orelha

por | fev 4, 2026 | Últimas notícias

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, na terça-feira (3), o inquérito que apura a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. O caso gerou grande comoção social e motivou protestos em capitais de diferentes regiões do país no último domingo.

De acordo com as investigações, Orelha não morreu após agressões cometidas por um grupo de pessoas, como havia sido divulgado inicialmente. A apuração apontou que a morte do animal foi causada por um único adolescente. Após o crime, o jovem chegou a viajar para os Estados Unidos em uma excursão escolar, mas retornou antecipadamente ao Brasil a pedido dos investigadores.

A Polícia Civil solicitou a internação do adolescente e indiciou outros três adultos pelo crime de coação a testemunhas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados. Segundo a corporação, a investigação foi conduzida com cautela para evitar vazamentos que pudessem comprometer a coleta de provas ou permitir que o suspeito permanecesse fora do país.

Em nota, os advogados do adolescente, Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, afirmaram que as informações divulgadas até o momento se referem a elementos circunstanciais, que não podem ser considerados provas conclusivas. A defesa informou ainda que não teve acesso integral aos autos da investigação até esta terça-feira e classificou o caso como politizado.

Além da morte de Orelha, a Polícia Civil também investigou as agressões contra outro cão comunitário da região, conhecido como Caramelo. Segundo a apuração, o animal foi atacado dias após a morte de Orelha e sobreviveu. Imagens de câmeras de segurança registraram quatro adolescentes agredindo o cão, incluindo cenas em que ele é levado até o mar e jogado para dentro de um condomínio a partir de um muro de cerca de 1,5 metro de altura.

A polícia esclareceu que os adolescentes envolvidos no caso de Caramelo não têm ligação com a morte de Orelha, contrariando informações divulgadas anteriormente. Concluídos, os dois inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Orelha foi atacado no dia 4 de janeiro, por volta das 5h30. Laudos da Polícia Científica indicam que o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente provocada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, o animal foi resgatado por uma moradora, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.

Ao longo da investigação, ao menos oito adolescentes chegaram a ser apurados. Não há imagens que mostrem diretamente o momento da agressão contra Orelha. A identificação do principal suspeito ocorreu a partir de contradições em seu depoimento, análise de imagens de segurança e de roupas apreendidas após seu retorno dos Estados Unidos.

Segundo a Polícia Civil, imagens mostram o adolescente saindo do condomínio onde estava hospedado às 5h25 da manhã e retornando às 5h58 acompanhado de uma amiga, o que contrariou sua versão inicial de que teria permanecido na área da piscina durante todo o período. Outras testemunhas e provas também indicaram que ele estava fora do condomínio no horário do crime.

A polícia informou ainda que um familiar do adolescente tentou esconder um boné rosa usado no dia da agressão e forneceu informações falsas ao afirmar que um moletom havia sido comprado durante a viagem ao exterior. Posteriormente, o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça e a utilizou no dia do crime.

Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao Ministério Público e ao Judiciário analisar as provas e decidir sobre as medidas cabíveis no caso.

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