..::data e hora::.. 00:00:00

Pesquisa revela que 8,8% dos adolescentes no Brasil já foram forçados a ter relação sexual

por | mar 26, 2026 | Últimas notícias

Um levantamento da IBGE acendeu um alerta preocupante sobre a realidade de jovens no Brasil. De acordo com a edição mais recente da PeNSE, 8,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido forçados a manter relação sexual — o equivalente a mais de 1,1 milhão de adolescentes.

O índice representa um aumento em relação a 2019, quando 6,3% relataram a mesma situação. A pesquisa, divulgada em 2026 com dados coletados em 2024, ouviu mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 cidades de todas as regiões do país.

Os dados mostram que a maioria das vítimas tinha até 13 anos quando sofreu a violência, e que os casos são mais frequentes entre meninas: 11,7% relataram terem sido forçadas a ter relação sexual, contra 5,8% dos meninos. A incidência também é maior na rede pública (9,3%) em comparação com a rede privada (5,7%), com destaque para a região Norte, que apresentou o maior índice, de 11,7%.

Outro ponto alarmante é o perfil dos agressores. Na maior parte dos casos, eles são pessoas próximas às vítimas, como familiares (35,5%) ou parceiros e ex-parceiros (22,6%). Apenas 23,2% dos entrevistados apontaram desconhecidos como autores da violência.

Além dos casos de estupro, a pesquisa identificou que 18,5% dos adolescentes já sofreram algum tipo de abuso sexual sem contato consentido, como toques, beijos ou exposição do corpo contra a vontade — número superior aos 14,7% registrados em 2019. Entre as meninas, esse percentual chega a 26%.

Especialistas apontam que o cenário pode ser ainda mais grave, já que muitos casos não são denunciados. A psicóloga Leiliane Rocha destaca que a falta de educação sexual nas escolas dificulta que crianças e adolescentes reconheçam situações de abuso e procurem ajuda.

Essa preocupação é reforçada por outro dado da pesquisa: houve queda significativa no acesso a orientações sobre sexo seguro nas escolas. Entre 2019 e 2024, diminuiu em mais de 10 pontos percentuais o número de estudantes que receberam informações sobre prevenção de gravidez, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Apesar desse cenário, o estudo também mostra mudanças no comportamento sexual dos jovens. A proporção de adolescentes que já iniciaram a vida sexual caiu para 30,4% em 2024, frente a 35,4% em 2019 e 37,5% em 2015. Ainda assim, entre os que já tiveram relações, 36,8% afirmam que a primeira experiência ocorreu antes dos 13 anos.

O uso de preservativos também apresentou queda. Na primeira relação sexual, 61,7% disseram ter usado camisinha em 2024, enquanto na última relação o índice caiu para 57,2%. Entre as meninas sexualmente ativas, 42,1% relataram já ter utilizado a pílula do dia seguinte ao menos uma vez.

A pesquisa também aponta que cerca de 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram, o que representa 7,3% das adolescentes que tiveram relação sexual — sendo quase a totalidade de casos registrados entre estudantes da rede pública.

Para especialistas, os dados evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes, além do fortalecimento da educação sexual nas escolas como ferramenta essencial de prevenção à violência.

0 comentários