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Perícia recupera mensagens apagadas e contraria versão de coronel em caso de morte de PM em SP

por | mar 26, 2026 | Últimas notícias

A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após a perícia identificar mensagens apagadas do celular da vítima. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, o conteúdo recuperado contradiz a versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de feminicídio.

O laudo técnico, concluído nesta semana, aponta que o oficial teria apagado conversas trocadas com a esposa no dia anterior ao crime, ocorrido em 18 de fevereiro, na capital paulista. As mensagens foram restauradas por meio de procedimentos periciais e indicam que Gisele queria a separação, diferentemente do que foi alegado pelo coronel.

Nos diálogos, enviados na noite de 17 de fevereiro, a policial afirma que desejava o divórcio e critica o comportamento do marido. Em um dos trechos, ela diz que não aceitaria continuar no relacionamento e reforça que manteria sua dignidade ao deixar o casamento.

Segundo a investigação, o celular da vítima foi manuseado minutos após o disparo que a atingiu na cabeça, o que levanta a suspeita de que as mensagens tenham sido apagadas nesse momento para sustentar a versão de suicídio.

A análise também indica que o tenente-coronel não queria o fim da relação e demonstrava insatisfação quando o assunto era abordado. Em vez de aceitar a separação, ele teria tentado desviar o foco das conversas, reforçando momentos do casal e insistindo na continuidade do casamento.

Outro ponto levantado pela perícia envolve uma suposta traição, que teria contribuído para a crise conjugal. Gisele menciona, nas mensagens, ter sido informada por outra policial sobre um possível envolvimento extraconjugal do marido.

Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita ainda no dia dos fatos e, posteriormente, como feminicídio. O oficial foi preso preventivamente após decisão da Justiça e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

Durante depoimentos, ele mantém a versão de que a esposa teria tirado a própria vida por não aceitar o fim do casamento. No entanto, as provas reunidas até o momento, incluindo as mensagens recuperadas, reforçam a linha investigativa de que houve tentativa de manipulação da cena do crime.

O caso segue em apuração e deve avançar com novas diligências e oitivas de testemunhas.

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