O pastor David Tonelli Mainarte foi condenado por estelionato pela 1ª Vara Criminal de Dourados (MS). De acordo com a decisão, ele enganou uma fiel ao prometer a cura de cicatrizes por meio de supostos “milagres”, que nunca aconteceram. A vítima pagou R$ 1.680 diretamente ao pastor e ainda arcou com hospedagem e deslocamento dele de São Paulo até Campo Grande, totalizando cerca de R$ 4 mil.
A mulher conheceu o pastor em 2016, após assistir a vídeos em que ele afirmava ter o dom de curar em nome de Deus. Ele dizia conseguir fazer dentes crescerem, reconstruir seios sem cirurgia, devolver a visão a cegos, fazer paralíticos andarem e até apagar cicatrizes. Buscando superar traumas causados por queimaduras na perna, a vítima decidiu procurá-lo.
Durante quase um mês em Campo Grande, Mainarte participou de doze cultos com a promessa de cura. Além do valor pago pela fiel, até o sobrinho dela, ainda criança, entregou R$ 100 ao pastor “em nome da fé”. Sem qualquer melhora e diante do desaparecimento do religioso, que deixou de responder mensagens e ligações, a vítima percebeu que havia sido enganada.
A defesa pediu a absolvição, argumentando que o pastor apenas prestou orações e que as contribuições foram voluntárias, destacando ainda que o direito penal não deveria interferir em práticas religiosas.
A Justiça, porém, entendeu que ele usou a posição religiosa para obter vantagem indevida. Na sentença, o juiz Marcelo Luiz Casavara afirmou que houve dolo e que as promessas de cura eram falsas, ressaltando que a liberdade religiosa não pode ser utilizada para justificar práticas de estelionato.
David Mainarte foi condenado a um ano de prisão, em regime aberto, e ao pagamento de multa. A pena será convertida em prestação de serviços à comunidade. A decisão ainda cabe recurso.
Em nota, o advogado Felipe Elias de Oliveira afirmou que buscará reverter a sentença, alegando falta de provas e sustentando que o trabalho do pastor está protegido pela liberdade de crença prevista na Constituição Federal.









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