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No meio da mata e sob chuva, biólogo tem encontro raro com a maior águia do planeta no Pantanal

por | fev 5, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Ave é considerada a maior águia do planeta. — Foto: Bruno Sartori

A maior águia do mundo foi registrada em plena natureza no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A harpia (Harpia harpyja), maior ave de rapina das Américas, foi fotografada e filmada no Maciço do Urucum, em Corumbá, durante uma expedição de monitoramento realizada pelo biólogo e fotógrafo Bruno Sartori, integrante da ONG Onçafari.

O registro ocorreu em meio à mata fechada e sob chuva, durante uma jornada considerada desafiadora pelos pesquisadores. Em entrevista ao g1, Bruno descreveu o encontro como um momento único e de forte emoção, resultado de um trabalho contínuo de conservação desenvolvido por diferentes projetos que atuam na região.

Segundo o biólogo, o ninho da harpia havia sido localizado em novembro pelo projeto Icterus, que trabalha na preservação da fauna sul-mato-grossense. Já em dezembro, o projeto Planeta Aves instalou uma câmera de monitoramento no local, com o objetivo de acompanhar o casal sem interferir no ambiente natural. O acompanhamento confirmou a atividade do ninho e, posteriormente, o nascimento de um filhote.

A expedição que resultou no encontro direto com a ave ocorreu no dia 30, quando quatro biólogos e fotógrafos seguiram até a área do ninho. O acesso foi dificultado pelas condições climáticas e pela vegetação densa. A cerca de 200 metros do local, veio a confirmação da presença da harpia. As imagens do registro foram divulgadas nesta semana nas redes sociais de Bruno Sartori.

“Eu tinha feito uma promessa para mim mesmo de que a primeira harpia que eu veria seria na natureza, não em cativeiro ou em situação de resgate. Quando eu bati o olho e vi aquele animal gigantesco ali, a sensação foi indescritível. Só consegui olhar e sorrir”, relatou o biólogo.

Ele também descreveu a ave como quase mítica. “Sempre achei que fosse um animal impossível de ver, quase como um unicórnio, que só existe nas histórias. Ver uma harpia livre na natureza foi a realização de um sonho pessoal”, completou.

Considerada a maior águia do planeta, a harpia pode atingir até 2,5 metros de envergadura e cerca de 1,15 metro de comprimento. As fêmeas são maiores que os machos e podem pesar até 10 quilos. A plumagem em forma de coroa na cabeça deu origem ao nome popular gavião-real. Com visão cerca de oito vezes mais potente que a humana, a espécie é capaz de capturar presas como preguiças no alto das árvores e carregar animais de grande porte.

Apesar de ocupar o topo da cadeia alimentar, a harpia enfrenta sérias ameaças. A espécie sofre com o desmatamento, a perda de habitat e a caça ilegal. Por isso, cada registro em vida livre é considerado fundamental para a ciência e para estratégias de conservação.

Atualmente, a harpia é classificada como “quase ameaçada” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e como “ameaçada” na lista estadual de espécies de Mato Grosso do Sul. No estado, há registros isolados da ave em municípios como Bonito, Bodoquena, Aquidauana e Corumbá.

Para pesquisadores, o flagrante no Pantanal reforça a importância da preservação dos biomas e do trabalho contínuo de monitoramento, garantindo que espécies raras e ameaçadas sigam existindo em seu habitat natural.

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