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“Não vou faltar no meu” homem com câncer terminal organiza festa para o próprio velório em vida em Campo Grande

por | abr 30, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

 Foto: Marcio Ribas/Divulgação

Diagnosticado com câncer de estômago em estágio avançado, o turismólogo e advogado Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, decidiu transformar a própria despedida em um encontro marcado pela música, pela presença e pela celebração da vida. Morador de Campo Grande, ele organizou uma festa que chama de seu próprio velório mesmo estando vivo.

O evento está previsto para o dia 30 de maio, em um espaço cedido pela Cervejaria Canalhas, e deve reunir amigos, familiares, conhecidos e até desconhecidos. A programação inclui bossa nova, samba, rock, DJs e apresentações abertas a quem quiser participar. O próprio Tiago pretende subir ao palco para tocar guitarra, instrumento que começou a aprender já durante o tratamento.

A ideia surgiu após a morte do pai em 2024. Ao participar do velório, ele percebeu que, apesar das homenagens e das histórias, faltava a presença de quem era celebrado. Foi nesse momento que decidiu que não gostaria de estar ausente em sua própria despedida.

Os primeiros sinais da doença apareceram no fim de 2023 durante uma viagem a Bonito. Dificuldades para se alimentar, perda de peso e mal-estar levaram à investigação médica que confirmou um adenocarcinoma gástrico. Inicialmente havia expectativa de cirurgia, mas exames mais detalhados identificaram metástases no intestino, no peritônio e início de comprometimento pulmonar, o que inviabilizou o tratamento curativo.

Desde então, Tiago passou por sessões de quimioterapia e atualmente realiza tratamento paliativo com imunoterapia. Nos últimos meses, o quadro se agravou, com perda significativa de peso, fraqueza e limitações físicas. Ele desenvolveu neuropatia causada pelo tratamento e passou a usar bengala.

Mesmo diante da doença, decidiu que sua despedida não seria marcada apenas pela dor. A festa foi pensada como um encontro aberto, sem formalidades, em que qualquer pessoa possa estar presente. Após divulgar o evento nas redes sociais, recebeu apoio de amigos, desconhecidos e músicos que se ofereceram para contribuir com estrutura e apresentações.

Além da música, o evento deve contar com intervenções artísticas, incluindo um flash mob e a produção de um quadro ao vivo para registrar o momento.

Enquanto organiza a celebração, Tiago também cuida do que vem depois. Ele já deixou senhas, documentos e a divisão de bens organizados entre pessoas próximas. Sobre o velório tradicional, prefere não interferir e deixar as decisões para a família.

A rotina hoje é acompanhada de cuidados constantes. Ele mora com a mãe, que participa diretamente do dia a dia, embora evite falar sobre a morte. Apesar das limitações, Tiago busca viver experiências que sempre desejou. Recentemente fez rapel no Abismo Anhumas e também saltou de paraquedas.

Entre os planos, ainda deseja conhecer o mar e aprender a surfar. A ideia é registrar esse momento em uma fotografia que pretende deixar como lembrança.

Sem medo da morte, mas consciente das dificuldades do processo, ele tenta aproveitar o tempo da forma mais intensa possível. A festa que organizou representa a oportunidade de reunir pessoas, compartilhar histórias e viver a própria despedida de maneira ativa, cercado de música e presença.

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