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Mulher admite ter espalhado informação falsa sobre morte do cão Orelha: “Pequei”

por | fev 9, 2026 | Últimas notícias

Uma mulher admitiu ter sido responsável por divulgar informações falsas sobre a morte do cão Orelha, caso que ganhou repercussão nacional. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, ela reconheceu que publicou nas redes sociais a informação de que existiria um vídeo mostrando adolescentes espancando o animal, embora nunca tenha assistido a nenhuma gravação.

Sem ter o nome divulgado, a mulher contou que baseou a postagem apenas no relato de uma conhecida, que teria afirmado que um porteiro havia registrado a suposta agressão em vídeo, mas teria sido coagido por familiares dos adolescentes a não divulgar as imagens. Questionada pela polícia, ela confirmou que jamais viu o material.

“Partiu de mim o post que contou sobre o espancamento do Orelha. Só que eu não imaginei que fosse repercutir tanto”, disse. Segundo ela, o arrependimento veio quando percebeu a dimensão do caso e as consequências geradas. “Quando comecei a perceber que o post tinha viralizado e começaram a falar em represálias às crianças, eu não acho certo isso. Pequei, porque não deveria ter acreditado nela”, afirmou.

A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal de Santa Catarina, reforçou que, em nenhum momento, a polícia confirmou que o cachorro teria sido espancado até a morte. A investigação foi conduzida em conjunto com a Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei.

De acordo com o veterinário que atendeu o animal, Orelha morreu após sofrer uma pancada na cabeça, cuja gravidade aumentou ao longo dos dias. O profissional relatou que o cão apresentava inchaço compatível com uma agressão causada possivelmente por um objeto de madeira ou uma garrafa. O animal não resistiu e morreu dois dias depois, em 5 de janeiro.

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Oito adolescentes chegaram a ser investigados, sem divulgação de identidades. O jovem apontado como autor foi identificado após a análise de mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança na região da Praia Brava, em Florianópolis, além da comparação de roupas e do depoimento de 24 testemunhas.

A polícia informou ainda que o adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, permanecendo fora do país até 29 de janeiro. Ao retornar, foi detido no aeroporto. A investigação também apontou tentativas de ocultação de roupas usadas no dia do crime e contradições em seu depoimento.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que, com a análise dos dados extraídos dos celulares apreendidos, novos elementos podem reforçar as provas já obtidas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, seguindo os procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A defesa de um dos adolescentes contestou o resultado das investigações, alegando fragilidade e inconsistências nas apurações. Já o Ministério Público de Santa Catarina afirmou que ainda existem lacunas e solicitou mais esclarecimentos sobre a reconstrução dos fatos.

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