A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um caso de extrema violência ocorrido em Ceilândia, no Distrito Federal, que culminou na prisão de Beatriz Elissandra Marques Carvalho, de 24 anos. A mulher, que ficou conhecida como “mascarada”, foi autuada por tortura, extorsão e tentativa de homicídio após filmar as agressões cometidas contra um homem dentro da própria residência.
Segundo as investigações, Beatriz afirmou em depoimento que atua como garota de programa e que a vítima era um cliente antigo, com quem mantinha contato há anos. De acordo com ela, o homem frequentava sua casa com regularidade e tinha livre acesso ao imóvel.
Crime motivado por vingança
À polícia, a suspeita relatou que decidiu agredir o homem após ele ter feito uma proposta sexual considerada ofensiva, oferecendo R$ 10 e usando palavras de baixo calão. Ela afirmou ainda que a fala teria reavivado um trauma do passado: quando mais jovem, teria sido “alisada” por ele em uma praça — situação que, segundo disse, nunca superou.
Durante o depoimento, Beatriz também declarou que costuma “tirar as pessoas”, expressão usada para descrever a prática de subtrair dinheiro e pertences de clientes durante atendimentos.
Na residência da investigada, os policiais encontraram cartões bancários, documentos pessoais e um notebook pertencentes a uma segunda vítima, de 37 anos. O material foi apreendido para análise.
Tortura filmada
O crime ocorreu na QNM 6, em Ceilândia. Conforme apurado, os dois haviam saído juntos de um bar da região antes de seguirem para a casa dela.
No local, a mulher teria dopado o homem com Clonazepam. Como ele não perdeu a consciência, as agressões começaram. Segundo relato policial, a vítima foi imobilizada, sofreu chutes, teve a cabeça batida contra um móvel e foi atingida por golpes de faca.
Parte das agressões foi registrada pela própria autora em vídeos de celular. Nas imagens, ela aparece ironizando a situação, usando um isqueiro próximo ao pescoço da vítima e afirmando que ele estaria “condenado”.
Após as agressões, a mulher acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O socorro foi prestado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, que encaminhou o homem ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC).
Prisão e ameaça de “terminar o serviço”
Horas depois, a suspeita foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia procurando informações sobre o estado de saúde da vítima. Segundo relato policial, ela teria dito que, caso o homem não tivesse morrido, “terminaria o serviço”. Também mostrou os vídeos das agressões a profissionais de saúde.
A mulher indicou o endereço do crime e acompanhou os policiais até o imóvel, onde foram encontrados vestígios de sangue e a faca supostamente utilizada.
Vídeos da tortura começaram a circular em grupos de WhatsApp, o que levou o dono do bar onde o casal esteve a ir até a residência. No local, ele encontrou outras pessoas socorrendo a vítima, que estava com as mãos amarradas.

Prisão preventiva mantida
O caso foi registrado na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia). Após audiência de custódia, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios converteu a prisão em flagrante em preventiva.
A Polícia Civil apura ainda a possível existência de outras vítimas e a prática de extorsão contra clientes. As investigações seguem em andamento.




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