Familiares da vereadora assassinada Marielle Franco comemoraram nesta quarta-feira (25) a condenação dos mandantes do crime pelo Supremo Tribunal Federal, em uma sessão marcada por forte emoção, manifestações de apoio de parlamentares do PSOL e momentos de comoção entre os presentes.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que o julgamento representa um passo importante no enfrentamento à violência política de gênero e raça no Brasil. Ela criticou o que classificou como uma parcela da sociedade que tratou sua irmã como “descartável”.
“A estrutura que leva, de fato, a minha irmã a ser assassinada, e as pessoas que ainda têm a mentalidade de diminuir ou minimizar um assassinato como foi o de Marielle, precisa parar”, declarou a ministra ao fim da sessão.
O STF condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão por serem os mandantes do assassinato da parlamentar, crime que também vitimou o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.
A viúva de Marielle, a vereadora do Rio de Janeiro Mônica Benício (PSOL), afirmou que a decisão do Supremo rompe com o que chamou de “punitivismo seletivo”.
“Para alguns, a impressão era que jamais ia chegar, enquanto para outros a condenação pela cor, pela pobreza, pelo gênero é sempre o caminho destinado àqueles que achavam que era o da Marielle, que era o descarte”, disse.
Segundo ela, a transformação de Marielle em símbolo nacional ocorreu porque parte significativa da sociedade passou a enxergar no caso a expressão de desigualdades estruturais. “Justiça por Marielle não é um slogan, é uma tarefa de vida, é a luta pela construção de uma sociedade onde Marielles e Andersons possam viver, florescer e jamais serem assassinados”, completou.
O julgamento no STF é considerado um marco no caso que mobilizou o país e teve repercussão internacional, reforçando o debate sobre violência política, racismo e direitos humanos no Brasil.






0 comentários