A investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC passou a incluir familiares da influenciadora e advogada Deolane Bezerra. O relatório policial cita a mãe, a irmã e o filho da empresária em movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Presa desde o último dia 21 de maio durante a Operação Vérnix, Deolane é apontada pela polícia como peça central de uma estrutura financeira investigada por possível ligação com o crime organizado. Segundo o inquérito, empresas vinculadas ao núcleo familiar teriam apresentado movimentações incompatíveis com as atividades declaradas.
O filho da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos, aparece como um dos investigados da operação. De acordo com a polícia, ele teria movimentado mais de R$ 11 milhões sem histórico empresarial considerado compatível com o valor. Apesar disso, o relatório informa que ele não foi formalmente indiciado neste momento.
A mãe de Deolane, Solange Bezerra, e a irmã, Dayanne Bezerra, também são mencionadas no documento em trechos que tratam de movimentações financeiras consideradas incompatíveis pelos investigadores.
Segundo a polícia, a investigação avançou após análise de celulares apreendidos em operações anteriores contra o núcleo financeiro do PCC. Os investigadores afirmam ter identificado conexões financeiras envolvendo empresas ligadas à família Bezerra.
O relatório aponta que Deolane teria recebido valores da empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., investigada por suposto envolvimento no esquema. Para a polícia, os depósitos não teriam relação comprovada com honorários advocatícios.
A investigação afirma ainda que contas vinculadas à influenciadora movimentaram mais de R$ 40 milhões. Parte dos créditos e transferências, segundo os investigadores, não teria origem ou destino identificados.
Entre as empresas citadas no relatório estão Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda., DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda., Bezerra Produções Artísticas Ltda. e Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda.
Segundo a polícia, algumas dessas empresas apresentariam dinâmica típica de “contas de passagem”, termo usado para descrever contas que recebem altos valores e rapidamente redistribuem o dinheiro para terceiros.
O documento também menciona a compra de uma Ferrari SF90 avaliada em cerca de R$ 4,4 milhões pela empresa Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda.
Apesar das conclusões apresentadas pela Polícia Civil, o relatório não representa condenação judicial. A defesa de Deolane sustenta que ela é inocente e afirma que as movimentações financeiras têm origem lícita.
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