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Luto vira trend e revela novas formas de lidar com a saudade

por | jun 9, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Trends têm se espalhado pelo TikTok e outras redes sociais mobilizando milhares de pessoas a compartilhar momentos de saudade de quem já morreu. Ao som da música DTMF, do cantor Bad Bunny, usuários publicam vídeos com fotos das pessoas que já faleceram e depois mostram o mesmo local sem a presença delas. Outra tendência consiste em postar lembranças, fotos e cenas do cotidiano acompanhadas da frase: ‘O pior dia do luto não é o velório nem o enterro’, seguida de um momento feliz que não pôde ser compartilhado com alguém que já partiu.

Essas tendências revelam uma mudança importante na forma como a sociedade fala sobre a perda e a saudade. Para a psicóloga Daniela Bittar, colunista do portal Além da Perda, idealizado pelo Grupo Zelo, e uma das organizadoras do Grupo Colcha, o luto não se limita ao impacto imediato da morte, mas se manifesta principalmente nos pequenos momentos do cotidiano.

“O velório e o enterro são rituais coletivos que ajudam a dar algum significado à perda, porque ali existe partilha, acolhimento e expressão das emoções. Mas, depois que tudo termina e as pessoas vão embora, fica o silêncio do dia a dia. É nesse vazio, nos momentos que antes eram compartilhados, que muitas pessoas sentem a dor mais profunda do luto”, explica.

Redes sociais como espaço de memória

Nos últimos anos, as redes sociais passaram a funcionar também como um espaço de expressão da saudade. Publicações com fotos antigas, mensagens dedicadas a quem morreu ou relatos sobre a perda têm se tornado cada vez mais comuns, algo que, segundo Daniela, pode ajudar no processo de elaboração do luto.

“As lembranças passam a ocupar um lugar de ausência daqui para frente. Quando alguém compartilha uma foto ou uma memória nas redes, muitas vezes está tentando manter esse vínculo afetivo com quem partiu”, afirma Daniela Bittar. “A gente quer falar da pessoa que amamos e que não está mais aqui. As memórias querem ser partilhadas”.

Segundo a psicóloga, esse movimento também reflete uma transformação cultural. Historicamente, a morte fazia parte da vida cotidiana e era vivenciada de forma mais coletiva. “Antigamente, os velórios aconteciam dentro das casas e a comunidade participava mais diretamente desses rituais. Com a vida contemporânea e urbana, a morte foi se tornando um assunto mais silencioso e afastado do cotidiano. As redes sociais acabam criando uma nova forma de reconexão e de conversa sobre esse tema”, explica.

Juntamente com a iniciativa do Portal Além da Perda, o Grupo Zelo também tem fomentado a temática do luto em outras frentes, como o Podcast Bucket List, que está entre os mais ouvidos do país na categoria educação. “Entendemos que o nosso papel como empresa de death care evoluiu. Não entregamos apenas um serviço, mas suporte emocional e conteúdo que ajudem as famílias a ressignificar a dor. Ao investir em plataformas como o Portal Além da Perda e o Bucket List, queremos quebrar o tabu sobre a morte e oferecer um ambiente seguro para que o luto seja vivido com dignidade e compreensão, seja no mundo físico ou no digital”, afirma Alessandro Oliveira, diretor do Grupo Zelo.

Validação da dor e também exposição

Ao ampliar o debate sobre o luto, a internet também pode oferecer algo que muitas pessoas enlutadas sentem falta: escuta e reconhecimento da dor. Por outro lado, essa visibilidade também exige cuidado. Como o ambiente digital é aberto e sem regras claras de interação, pessoas em sofrimento podem ficar mais expostas a julgamentos ou comentários inadequados. “A expressão do luto pode ser saudável quando nasce da necessidade genuína de compartilhar, elaborar e manter vínculos com quem morreu. Mas existe o risco de essa exposição ser guiada pela expectativa dos outros ou pela busca de validação. Estamos falando de pessoas emocionalmente vulneráveis”, alerta.

Quando o luto precisa de atenção

O luto é um processo natural e não tem prazo definido. No entanto, sinais de desorganização intensa e prolongada podem indicar a necessidade de apoio especializado. “Se depois de seis meses ou um ano a pessoa ainda apresenta grande desorganização na vida, como incapacidade de voltar ao trabalho, dificuldades graves de relacionamento ou sensação constante de inadequação, pode ser importante buscar ajuda profissional”, orienta a psicóloga.

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