O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Salvador nesta sexta-feira (23) em um cenário de incerteza política entre aliados sobre a formação da chapa que disputará as eleições majoritárias na Bahia. A aproximação do calendário eleitoral tem ampliado as disputas internas no campo governista e tornado indefinidas as composições tanto para o governo do estado quanto para o Senado.
Na capital baiana, Lula participa do encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), evento retomado após mais de uma década, cuja última edição havia ocorrido em 2009. Durante o encontro, iniciado na segunda-feira (19), o presidente deve anunciar um pacote de medidas voltadas à reforma agrária. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, a expectativa é de que sejam divulgadas desapropriações de novas áreas destinadas a assentamentos em diferentes regiões do país.
Antes de chegar a Salvador, o presidente faz uma parada em Maceió, capital de Alagoas, para participar da cerimônia que marca a contratação de duas milhões de moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
A agenda de Lula na Bahia ocorre em um momento sensível para o grupo político aliado. O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que deve buscar a reeleição, enfrenta dificuldades nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado em novembro aponta o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na liderança, com 44% das intenções, contra 35% do atual governador. Em outubro, a diferença era menor, com empate técnico e vantagem numérica para o adversário.
Diante desse cenário, aliados chegaram a cogitar a possibilidade de o ministro da Casa Civil, Rui Costa, disputar novamente o governo da Bahia. O ex-governador, no entanto, nega a intenção e reafirma que seu plano é concorrer a uma vaga no Senado.
A composição para a Casa Alta também gera impasse. O PT defende uma chapa formada por Jerônimo Rodrigues ao governo, Rui Costa e o senador Jaques Wagner (PT-BA) para as duas vagas ao Senado. Essa configuração, porém, deixaria de fora o senador Angelo Coronel (PSD-BA), aliado do governo e que também busca a reeleição. Como alternativa, o partido propôs que Coronel integrasse a chapa como suplente de Wagner, assumindo o mandato em caso de eventual nomeação do senador para outro cargo em um futuro quarto mandato de Lula. A proposta enfrenta resistência do parlamentar do PSD.
Pesquisas de opinião indicam Rui Costa como favorito a uma das vagas ao Senado. Nesse contexto, Jaques Wagner e Angelo Coronel disputariam a segunda cadeira voto a voto. Em 2026, o Senado Federal renovará 54 das 81 cadeiras, o equivalente a dois terços do total, o que torna a definição das candidaturas estratégicas para o fortalecimento da base de apoio ao presidente no Congresso.
A presença de Lula na Bahia, além dos anúncios voltados à reforma agrária, é vista por aliados como um movimento político relevante em meio às negociações e disputas internas que devem se intensificar ao longo do ano eleitoral.









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