O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (18/12) que vetará o projeto conhecido como PL da Dosimetria, que prevê a redução de penas e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em tom firme, Lula negou qualquer acordo do governo com o Congresso para a aprovação da proposta.
“Se houve acordo com o governo, eu não fui informado. E se o presidente não foi informado, não houve acordo”, declarou Lula, ao rechaçar a articulação anunciada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Na véspera, Wagner afirmou que teria costurado um entendimento com o Centrão e parlamentares bolsonaristas: o projeto da dosimetria avançaria no plenário em troca da aprovação de medidas econômicas, como o corte de incentivos fiscais e o aumento da tributação sobre bets, fintechs e juros sobre capital próprio. As propostas passaram pelo Senado, mas a fala do líder gerou desconforto no Planalto.
Crise política e operação da PF
O cenário político foi agravado por novas ações da Polícia Federal. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, tornou-se alvo de uma operação que investiga fraudes no INSS. Segundo decisão do ministro André Mendonça, do STF, Weverton teria dado suporte político ao esquema que resultou no enriquecimento do lobista conhecido como “Careca do INSS”.
Nesta quinta, a PF deflagrou nova fase da Operação Sem Descontos, com o cumprimento de 16 mandados de prisão e 52 de busca e apreensão. Entre os presos estão o filho do “Careca do INSS” e um dirigente da área de Previdência.
O Planalto tenta conter os danos políticos enquanto Lula reforça o discurso de que não fará concessões em temas sensíveis e que o projeto da dosimetria, se chegar à sua mesa, será barrado com veto presidencial.








0 comentários