O encontro reuniu autoridades do Brasil e da Índia, lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos para debater desafios e oportunidades. – Foto: Ricardo Stuckert / PR
Durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia 2026, realizado neste sábado (21), em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel estratégico da aproximação entre os dois países para o desenvolvimento tecnológico, a geração de empregos e a ampliação do comércio bilateral. O encontro reuniu autoridades brasileiras e indianas, empresários e representantes de setores estratégicos das duas economias.
“Eventos como este impulsionam o desenvolvimento nacional e o avanço de tecnologias inovadoras. Também atraem investimentos que geram oportunidades e renda para os trabalhadores. A distância entre o Brasil e a Índia é apenas um detalhe diante do potencial de nossa amizade”, afirmou Lula.
O presidente ressaltou a meta de ampliar o intercâmbio comercial com a Índia. Segundo ele, o compromisso firmado com o primeiro-ministro Narendra Modi é alcançar US$ 20 bilhões em comércio bilateral nos próximos anos — com possibilidade de atingir US$ 30 bilhões até 2030.
Indústria aeronáutica e transferência de tecnologia
Lula destacou a competitividade da indústria brasileira, especialmente nos setores aeronáutico e espacial. Ele citou acordos firmados pela Embraer com o Grupo Adani e a Mahindra para a produção de aeronaves comerciais e de defesa na Índia.
“Não queremos apenas vender. Queremos comprar, investir e consolidar nossa presença na Índia, com transferência de tecnologia e formação de pessoal”, pontuou.
O presidente também enfatizou as oportunidades em áreas como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial. A Parceria Digital firmada entre os países prevê cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e estímulo a startups de base tecnológica.
Produção de medicamentos contra o câncer
No campo da saúde, o ministro Alexandre Padilha assinou três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) voltadas à produção nacional de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento estimado pode chegar a R$ 10 bilhões em dez anos.
Os acordos envolvem a produção dos medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe, utilizados no tratamento de câncer de mama, pele e leucemias. A iniciativa integra a estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco na redução da dependência externa e na ampliação do acesso a terapias de alta complexidade.
Entre os parceiros estão a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), a Fundação para o Remédio Popular (FURP), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e empresas como a Bionovis, Dr. Reddy’s Laboratories, Biocon Pharma e Lupin.
A Fiocruz também firmou memorandos de entendimento com farmacêuticas indianas para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos estratégicos, incluindo tratamentos para doenças raras e enfermidades negligenciadas como tuberculose, malária, hanseníase e doença de Chagas.
Expansão comercial e presença internacional
O Fórum Empresarial Brasil–Índia 2026 foi promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério das Relações Exteriores.
Durante a missão presidencial, foi inaugurado o primeiro escritório da ApexBrasil na capital indiana, consolidando a expansão internacional da agência, que já mantém unidades em cidades estratégicas como Miami, Bruxelas, Lisboa, Dubai, Pequim e Xangai.
Ao encerrar sua participação, Lula reforçou o papel do setor empresarial na consolidação da parceria bilateral. “O futuro não chega por si só — precisamos desejá-lo. Vamos ao trabalho”, concluiu.







0 comentários