Um laudo médico elaborado pela Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) necessita de cuidados especiais enquanto cumpre pena na Papudinha, em Brasília, mas não apresenta quadro que justifique transferência para uma unidade hospitalar. A perícia foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o documento, Bolsonaro apresenta doenças crônicas que estão sob controle, mas há risco de queda, o que exige a adoção de medidas preventivas e a otimização dos tratamentos já realizados. O laudo recomenda atenção especial ao acompanhamento médico e à prevenção de possíveis complicações, mas descarta a necessidade de internação em hospital ou em unidade hospitalar penitenciária.
Após a entrega do parecer, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o conteúdo da perícia. Aliados de Bolsonaro avaliam que o laudo pode reforçar o pedido da defesa para concessão de prisão domiciliar, embora esse tema não tenha sido objeto da análise médica.
Os peritos apontaram que Bolsonaro apresenta sinais neurológicos que aumentam o risco de novas quedas, especialmente sem vigilância contínua. Em janeiro, o ex-presidente sofreu uma queda e bateu a cabeça quando ainda estava detido na superintendência da Polícia Federal, o que motivou sua transferência para uma cela mais ampla na Papudinha.
A avaliação médica foi realizada no dia 20 de janeiro e incluiu entrevista, exame clínico, análise de exames anteriores e inspeção das condições da cela. Entre as principais queixas relatadas por Bolsonaro está o soluço persistente. Os médicos também levantaram a hipótese de que a combinação de medicamentos de uso contínuo pode contribuir para tonturas e instabilidade postural.
O laudo confirma a presença de comorbidades crônicas, como hipertensão, obesidade, refluxo e apneia obstrutiva do sono em grau grave. Diante disso, os peritos recomendam maior investigação do quadro neurológico e uma série de medidas, como instalação de barras de apoio, campainhas de emergência, monitoramento contínuo, acompanhamento nutricional, prática de atividades físicas e fisioterapia.
Atualmente, Bolsonaro já conta com barras de apoio, campainha de emergência, sessões de fisioterapia e acupuntura, além de acompanhamento médico e suporte do Samu em tempo integral. A Papudinha não possui ambulatório próprio, sendo a unidade mais próxima localizada no complexo da Papuda.
Os médicos também fizeram ressalvas à alimentação do ex-presidente, apontando consumo reduzido de frutas, verduras e hortaliças, além da ingestão frequente de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar. Segundo o laudo, não há medicação prescrita especificamente para o tratamento da obesidade.
O documento descreve ainda a rotina diária de Bolsonaro na prisão, incluindo horários de sono, atividades de leitura, caminhadas e períodos de descanso. Sobre o soluço, o ex-presidente relatou que ainda não encontrou tratamento definitivo e que os medicamentos causam fadiga. Ele afirmou também que o uso recente de aparelho para apneia do sono melhorou a qualidade do descanso.
Por fim, os médicos destacaram que não há comprovação de quadro depressivo, embora Bolsonaro tenha relatado preocupação com a família e esforço para manter equilíbrio emocional durante o período de detenção.







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