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Juros futuros recuam com alívio político e reação do mercado

por | dez 24, 2025 | Últimas notícias

As taxas dos juros futuros fecharam esta terça-feira (23) em leve queda, refletindo uma reação positiva do mercado ao cenário político, que ajudou a contrabalançar a pressão de alta provocada pelos dados do IPCA-15, a prévia da inflação oficial de dezembro.

Os investidores reagiram ao cancelamento de uma entrevista que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, concederia no início da tarde. A desistência, informada por questões de saúde, trouxe alívio à curva de juros, que vinha pressionada nas últimas semanas.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 era de 13,27%, com baixa de 2 pontos-base em relação ao ajuste anterior, de 13,288%. Já o DI para janeiro de 2035 recuava 4 pontos-base, para 13,7%, ante 13,738% da sessão passada.

Mais cedo, o IBGE informou que o IPCA-15 subiu 0,25% em dezembro, ligeiramente abaixo da projeção de 0,27% feita por economistas consultados pela Reuters. Em novembro, o índice havia avançado 0,2%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,41%, abaixo da estimativa de 4,43% e menor que os 4,5% registrados em novembro. O resultado permanece acima do centro da meta de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância, cujo teto é de 4,5%.

Apesar do dado cheio um pouco mais benigno, a composição da inflação não agradou ao mercado. Segundo cálculos do banco Bmg, a inflação de serviços acelerou de 0,66% em novembro para 0,7% em dezembro. Os serviços subjacentes passaram de 0,4% para 0,52%, enquanto os serviços intensivos em mão de obra avançaram de 0,62% para 0,65%. Para o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, o qualitativo de serviços não foi dos melhores.

A média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central também acelerou, passando de 0,28% em novembro para 0,33% em dezembro. Diante desses números, o DI para janeiro de 2028 chegou a atingir a máxima de 13,395%, com alta de 11 pontos-base, ainda na primeira hora de negócios.

O movimento de alta perdeu força após a notícia do cancelamento da entrevista de Bolsonaro ao portal Metrópoles. A conversa seria a primeira desde sua condenação e após a indicação do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência em 2026. Nas últimas semanas, a possibilidade de candidatura de Flávio vinha elevando os prêmios na curva de juros, diante da avaliação do mercado de que ele seria menos competitivo do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em um eventual embate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com o cancelamento, visto como um possível gatilho de confirmação do nome de Flávio, houve redução da tensão nos mercados. Às 15h27, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou à mínima de 13,235%, com queda de 5 pontos-base, em meio também ao enfraquecimento dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

O alívio nos juros ocorreu em sintonia com a queda do dólar frente ao real e a alta do Ibovespa, igualmente impactados pelo noticiário político. Ainda assim, a curva segue indicando maior probabilidade de manutenção da taxa básica Selic em 15% na reunião do Banco Central no fim de janeiro.

Segundo a analista Laís Costa, da Empiricus Research, a curva precificava durante a tarde cerca de 70% de chance de a Selic permanecer no atual patamar em janeiro, contra 30% de probabilidade de corte de 25 pontos-base.

No cenário externo, às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, operava estável em 4,171%. Em razão do feriado de Natal, o mercado brasileiro de DIs não funcionará na quarta-feira, enquanto os Treasuries seguem negociados nos Estados Unidos até as 16h, horário de Brasília. Ambos os mercados estarão fechados na quinta-feira.

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