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Especialista explica relação entre superdotação e vícios após fala de Whindersson Nunes

por | set 20, 2025 | Últimas notícias

Em entrevista ao portal LeoDias, o psicólogo Damião Silva, especialista em superdotação, diz que vícios podem surgir como tentativa de lidar com a intensidade emocional da condição, mas não são causados por ela.

Whindersson Nunes abriu o coração ao falar sobre sua internação para tratar a dependência de álcool e também sobre o diagnóstico de altas habilidades, conhecido como superdotação. O humorista abordou o assunto durante sua participação no programa “De Frente com Blogueirinha”, na última segunda-feira (8/9). Segundo ele, compreender a superdotação mudou a forma como lida com a impulsividade e a compulsão.

“O diagnóstico trouxe várias coisas ruins. No meu caso, veio a compulsão e a impulsividade […] Antes, eu pensava que era maluco, que não tinha jeito para mim. Agora que sei que isso vem de algum lugar, por exemplo, a compulsividade é começar a beber e não conseguir parar”, relatou.

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Whindersson Nunes está internado, de forma voluntária, em uma clínica psiquiátrica no interior de São PauloReprodução Instagram

Em entrevista ao portal LeoDias, o psicólogo Damião Silva, especialista em superdotação (neurodivergência), explica que compulsão e vício não são características próprias da condição. “Pessoas superdotadas vivem uma intensidade cognitiva e emocional acima da média. Essa intensidade pode dificultar a autorregulação, aumentar a sensibilidade a frustrações e, em alguns casos, gerar vulnerabilidade a comportamentos de compensação, como o vício. Mas é importante frisar: superdotação, por si só, não causa compulsão ou dependência”, destaca.

O especialista reforça que a superdotação não é uma patologia e nem um destino de sofrimento. “O que vulnerabiliza a pessoa superdotada não é a capacidade em si, mas a falta de ambientes responsivos às suas necessidades. Quando o contexto educacional, social e familiar falha em oferecer suporte, a potência cognitiva e emocional se transformam em sobrecarga, aumentando o risco de confusões, ansiedades e ruptura de desenvolvimento, ou seja, sofrimento”, explica.

Ele ressalta ainda que a superdotação pode funcionar como um gatilho indireto. “Mas nunca causa direta, porque uma pessoa superdotada percebe um mundo de forma mais complexa, sem ser diferente dos pares, pode enfrentar incompreensão e isolamento. Esses fatores aumentam o risco de sofrimento psíquico”, diz.

“Diante disso, algumas pessoas recorrem a comportamentos compulsivos ou uso de substâncias como uma tentativa a desligar a mente, por exemplo. Reduzir a ansiedade ou lidar com a pressão interna e externa, ou seja, faltam recursos só a ser emocionais. Por isso que a identificação precoce é muito positiva do ponto de vista de manutenção e até ganho de saúde mental. Mas, repito, a pressão por si só não é uma condição que vai te levar ao vício”, finaliza.

“Foi difícil para mim lidar com isso”

No início de agosto, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Whindersson já havia comentado que o diagnóstico o ajudou a entender situações vividas ao longo da vida. “Nos relacionamentos existem rotinas, e foi difícil para mim lidar com isso. Às vezes, a minha cabeça funciona em horários diferentes”, disse na ocasião.

Thaíse Ramos

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