Os profissionais da enfermagem da Santa Casa de Campo Grande seguem em paralisação parcial nesta terça-feira, dia 23, no segundo dia do movimento, motivado pelo não pagamento do 13º salário. A mobilização ocorre mesmo com parte dos serviços mantidos e já impacta a rotina do hospital, principalmente nas visitas aos pacientes.
O Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul confirmou a continuidade da paralisação e informou que nenhum funcionário recebeu qualquer parcela do 13º salário até o momento. Segundo o sindicato, não há previsão de pagamento, e a direção do hospital afirmou não ter recursos financeiros para quitar o benefício.
De acordo com o SIEMS, cerca de 70% dos trabalhadores seguem em atividade, enquanto 30% aderiram ao movimento. Mesmo parcial, a paralisação levou a Santa Casa a adotar regras temporárias para as visitas aos pacientes.
Durante o período de mobilização, apenas um familiar por paciente pode entrar no hospital. Cada paciente tem direito a uma visita por dia, exclusivamente no período da manhã, às 11 horas, com acesso pela porta de vidro no térreo. As visitas estão liberadas para pacientes internados na UTI e nas enfermarias. No setor de Trauma, a entrada deve ocorrer pela porta específica da área.
A paralisação envolve profissionais da enfermagem e também trabalhadores das áreas administrativa e médica. Segundo o sindicato, o objetivo é pressionar a direção do hospital a regularizar os pagamentos atrasados. O presidente do SIEMS, enfermeiro Lázaro Santana, informou que a administração propôs o pagamento do 13º salário em três parcelas, a partir de 25 de janeiro, mas a proposta foi rejeitada pela categoria.
Os trabalhadores que aderiram ao movimento voltaram a se concentrar em frente ao hospital neste segundo dia, cobrando o pagamento integral do benefício. A decisão da categoria é manter a paralisação até que o 13º salário seja pago.
A Santa Casa informou que enfrenta grave crise financeira e não tem condições de arcar com o pagamento neste momento. Segundo a instituição, o déficit mensal gira em torno de R$ 12 milhões, enquanto o valor total do 13º salário é de aproximadamente R$ 14 milhões.
O hospital explicou ainda que, em anos anteriores, o governo do Estado repassava integralmente os recursos destinados ao pagamento do 13º. Neste ano, de acordo com a Santa Casa, o governo comunicou que o repasse será feito em três parcelas, nos meses de janeiro, fevereiro e março, o que inviabilizaria o pagamento imediato do benefício.
Em nota, o governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, afirmou que não existe acordo que torne o Estado responsável pelo pagamento do 13º salário dos funcionários da Santa Casa. A SES informou que, nos últimos anos, foram realizados repasses extras de forma excepcional aos hospitais filantrópicos, sem caráter obrigatório.
A secretaria destacou que todos os repasses previstos em contrato com a Santa Casa estão em dia e são feitos ao município de Campo Grande até o quinto dia útil. De janeiro a outubro, o Estado repassou R$ 90,7 milhões, com média mensal de R$ 9,07 milhões. Em novembro, houve um acréscimo de R$ 516,5 mil, elevando o repasse mensal para R$ 9,59 milhões.
Além dos valores regulares, o governo estadual informou que, em 2025, já destinou R$ 25 milhões em recursos da bancada federal para a Santa Casa. A SES afirmou ainda que mantém o compromisso com a transparência, a responsabilidade fiscal e a continuidade do atendimento à população por meio do hospital.
Foto: SIEMS




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