O financista americano Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais e morto em 2019, discutiu em 2016 a possibilidade de comprar agências de modelos brasileiras, segundo emails divulgados no mais recente lote de documentos antes sigilosos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As mensagens indicam que Epstein chegou a autorizar a assinatura de um acordo de confidencialidade para avançar em negociações envolvendo a Ford Models.
As conversas ocorreram em outubro de 2016 com Ramsey Elkholy, músico e antropólogo apontado em investigação do jornal The Wall Street Journal, em 2023, como alguém que apresentou diversas mulheres a Epstein. Nos emails, Elkholy detalha informações sobre a Ford Models e cita outras agências que atuam no Brasil, como L’Équipe e Elite, além do que aparenta ser um concurso para descoberta de novas modelos.
Em uma das mensagens, Elkholy afirma que investir em uma agência consolidada poderia oferecer oportunidades de contato com modelos, mas sugere que concursos dariam acesso mais direto a jovens sem experiência no mercado. Em outro trecho, ele diz acreditar que o interesse principal de Epstein seria o acesso às mulheres, e não necessariamente o controle total das empresas.
A única resposta direta de Epstein na troca de mensagens foi para autorizar a assinatura de um acordo de confidencialidade, a fim de obter números financeiros da Ford Models. Ele também mencionou estar disponível para reuniões em Nova York naquela semana.
Procurado, o empresário Décio Restelli Ribeiro, responsável pela operação da Ford Models no Brasil, negou qualquer negociação. Segundo ele, a empresa nunca esteve à venda e não houve contato com Epstein ou representantes. Ribeiro afirmou ainda que ficou surpreso ao ter o nome associado ao caso e declarou que só soube quem era Epstein após a morte do financista.
Em nota oficial, a Ford Models Brasil reforçou que nunca participou de tratativas, negociações ou conversas envolvendo Epstein ou intermediários e que as informações citadas nos emails não correspondem à realidade.
Os documentos divulgados fazem parte de uma base com milhares de arquivos relacionados ao caso Epstein, incluindo emails, mensagens, relatórios financeiros e documentos judiciais, muitos deles com dados sensíveis preservados. A busca por referências ao Brasil resulta em cerca de 3.900 registros.
Os arquivos citam nomes de políticos, empresários e celebridades de diferentes países, em menções que variam entre possíveis relações pessoais e simples referências em conversas. O caso continua gerando repercussão internacional e novas análises a partir da divulgação desses documentos.










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