A movimentação pré-eleitoral já expõe uma série de conflitos internos e disputas por espaço entre partidos e lideranças políticas em diferentes regiões do país. As articulações para 2026 intensificam tensões tanto na direita quanto na esquerda, com reflexos diretos nas alianças locais.
No campo conservador, o bolsonarismo enfrenta divergências sobre estratégias regionais. Embora a possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro ainda gere resistências, a família Bolsonaro ampliou o foco dos embates ao defender que o PL lance candidatos próprios aos governos estaduais em todo o país, o que ameaça acordos já costurados com aliados locais.
Em Santa Catarina, a decisão do PL de deixar a deputada Carol de Toni de fora e priorizar a chapa formada por Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin (PP) para o Senado provocou desgaste interno. A parlamentar avalia deixar o partido, mesmo diante da resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tentou intervir no debate estadual.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas também se vê no centro de um impasse. Ele defende a indicação de um nome de centro para a segunda vaga ao Senado, argumentando que duas candidaturas fortemente associadas ao bolsonarismo poderiam representar risco eleitoral. A posição desagradou lideranças como o pastor Marco Feliciano e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A primeira vaga já está encaminhada para o deputado federal Guilherme Derrite (PP).
Na esquerda, as divergências também ganham força. O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o PT deve apoiar Alexandre Kalil em Minas Gerais, mas o presidente nacional do PT, Edinho Silva, negou que haja acordo fechado e disse que as conversas ainda estão em andamento.
Outro ponto de disputa envolve a possível candidatura da ministra Marina Silva ao Senado por São Paulo. Cortejada por PT e PSOL, Marina se tornou peça-chave nas articulações da esquerda, que sonha com uma chapa formada por Marina Silva e Simone Tebet. A ministra do Planejamento, no entanto, ainda não definiu se entrará na disputa.
Fora do campo eleitoral, um caso de repercussão institucional também marca o dia. A jovem que acusa um ministro do Superior Tribunal de Justiça de assédio será ouvida nesta quinta-feira (5) pelo Conselho Nacional de Justiça, em oitiva por videoconferência.
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