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A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul divulgou um alerta sobre o risco de colapso na rede municipal de saúde de Campo Grande. Segundo a instituição, há falta generalizada de medicamentos e insumos básicos em unidades de atenção primária, pronto atendimento e emergência. A situação foi classificada como grave e emergencial pela coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde, defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz.
O levantamento realizado pelo núcleo aponta ausência de materiais essenciais e aumento expressivo na procura por medicamentos básicos, o que indicaria incapacidade da rede pública em atender às necessidades da população. A defensora afirma que unidades de pronto atendimento e Centros Regionais de Saúde estão completamente desabastecidos e que o cenário compromete a assistência aos pacientes.
Um dos pontos mais preocupantes, segundo a Defensoria, é o risco de desabastecimento de adrenalina no Samu, medicamento fundamental em atendimentos de emergência, especialmente em casos cardíacos. A instituição afirma ter recebido denúncias e verificado indícios de que o estoque municipal não seria suficiente para o fim do ano, o que colocaria toda a população em situação vulnerável.
Diante da gravidade, a Defensoria enviou ofício à Secretaria Municipal de Saúde e aos órgãos de vigilância sanitária solicitando informações sobre o planejamento do município para enfrentar o problema e a apresentação de um plano de contingência. A prefeitura recebeu prazo de 24 horas para responder. Caso a resposta seja omissa ou insuficiente, a Defensoria afirma que poderá adotar medidas jurídicas emergenciais, inclusive acionar o Ministério Público. Um procedimento administrativo foi aberto para acompanhar a situação.
A defensora Eni Diniz também destacou aumento na ocupação hospitalar, apontando esgotamento da rede básica e impactos em todo o sistema de saúde municipal.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde negou o desabastecimento e afirmou que o fornecimento de adrenalina está regular tanto nas unidades 24 horas quanto no Samu. A pasta informou que cerca de 60 novos empenhos de medicamentos foram emitidos nos últimos dias, totalizando mais de cinco milhões de reais em investimentos. Segundo a gestão municipal, aproximadamente 32 milhões de unidades entre comprimidos, frascos e ampolas estão em processo de entrega para suprir toda a rede. A secretaria afirma ainda que o Comitê Gestor da Saúde tem realizado reorganização interna, revisões contratuais e implantação de sistemas de controle, como o e-SUS Farmácia, garantindo transparência e responsabilidade na administração dos insumos.







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