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Convênio de R$ 3,3 milhões é antecipado para tentar encerrar greve dos ônibus em Campo Grande

por | dez 18, 2025 | Últimas notícias

O governo de Mato Grosso do Sul decidiu antecipar o repasse de R$ 3,3 milhões de um convênio firmado com a prefeitura de Campo Grande para o custeio de passes estudantis. A medida busca pôr fim à greve dos ônibus que começou na última segunda-feira (15) e paralisou totalmente o transporte coletivo da capital.

Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), o pagamento deve ser efetuado ainda nesta quinta-feira (18). O valor será transferido ao município e, na sequência, ao Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo, para viabilizar o pagamento dos salários e vales dos motoristas.

Conforme apurado pelo g1, os trabalhadores devem retomar as atividades ainda nesta quinta-feira, no período da tarde. O retorno dos ônibus, no entanto, está condicionado à confirmação do pagamento dos valores em atraso. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano, Demétrio Freitas, informou que a retomada exige uma logística para mobilizar os funcionários e, por isso, não há um horário exato definido. Segundo ele, o retorno será gradativo, mas garantido ainda hoje, sem necessidade de convocar assembleia.

Apesar da determinação do Tribunal Regional do Trabalho para que ao menos 70% da frota voltasse a circular, o sindicato manteve a paralisação total até o momento, descumprindo a decisão judicial.

Impactos e prejuízos

A greve tem provocado prejuízos milionários à economia da capital. Levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul aponta que as perdas na indústria de transformação podem chegar a quase R$ 58 milhões por dia, dependendo do número de trabalhadores impedidos de chegar ao trabalho por falta de transporte.

O cálculo considera dados da Pesquisa Industrial Anual do IBGE, que indicam uma produção média diária de R$ 3.500 por trabalhador. Campo Grande concentra cerca de 22 mil trabalhadores formais na indústria de transformação. Se 25% deles não comparecerem, a perda diária é estimada em R$ 19 milhões. Com 50% de ausência, o prejuízo sobe para R$ 38,5 milhões, podendo chegar a quase R$ 58 milhões com 75% da força de trabalho fora dos postos.

Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, a paralisação afeta toda a cadeia produtiva, com reflexos diretos no emprego, na renda, na arrecadação e na competitividade da cidade. A construção civil também registra atrasos em obras e prejuízos nos cronogramas.

No comércio, a Câmara de Dirigentes Lojistas estima perdas de cerca de R$ 10 milhões por dia, somando quase R$ 40 milhões desde o início da greve. Empresas têm assumido custos extras para manter as atividades, especialmente nos setores de comércio, serviços, hotelaria, saúde e alimentação. Enquanto grandes empresas utilizam ônibus e vans próprias, pequenos comerciantes recorrem a corridas por aplicativo para conseguir abrir as portas.

A CDL alerta que cada dia sem transporte coletivo reduz a circulação de consumidores e compromete vendas em um período estratégico. Pesquisa divulgada no início de dezembro aponta que 77,5% das compras de Natal seriam presenciais, com expectativa de movimentação de R$ 194 milhões no comércio da capital, cenário diretamente afetado pela paralisação.

Na saúde, a Santa Casa de Campo Grande informou dificuldades pontuais no deslocamento de funcionários, com registros de ausências em setores como portaria, cozinha, elevadores, lavanderia, ambulatório, SESMT e lactário. Para evitar prejuízos aos atendimentos, o hospital adotou medidas emergenciais e passou a transportar parte dos colaboradores com veículos próprios, garantindo o funcionamento dos serviços essenciais.

A CDL reconhece a legitimidade das reivindicações dos trabalhadores, mas reforça a urgência de uma solução definitiva. Segundo a entidade, a retomada do transporte coletivo é fundamental para preservar a economia, assegurar serviços essenciais e evitar danos ainda maiores em um dos períodos mais importantes do calendário comercial de Campo Grande.

Foto: Diego Queiroz/ TV Morena

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