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Com dívida milionária na saúde, Prefeitura de Campo Grande tem prazo de 7 dias para explicar gastos ao Ministério Público

por | jun 3, 2026 | Últimas notícias

A Prefeitura de Campo Grande terá até o próximo dia 10 de junho para apresentar esclarecimentos ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre a utilização dos recursos do Fundo Municipal de Saúde, em meio a uma investigação que apura atrasos milionários nos pagamentos a fornecedores de medicamentos, insumos e serviços da rede pública.

A apuração ocorre após empresas denunciarem falta de pagamentos desde o ano passado, situação que já teria provocado suspensão parcial de fornecimentos e afetado diretamente o atendimento à população, com relatos de dificuldades para conseguir exames, medicamentos e consultas na rede municipal.

Segundo documentos que fazem parte do inquérito, que reúne cerca de 400 páginas, a dívida acumulada da prefeitura com fornecedores e prestadores de serviços chegou a R$ 197,5 milhões até fevereiro deste ano. Entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2026, as despesas pendentes totalizaram aproximadamente R$ 285 milhões, dos quais pouco mais de R$ 88 milhões foram quitados.

Os documentos apontam que uma distribuidora de materiais hospitalares teria mais de R$ 4 milhões a receber, enquanto outra empresa acumula débitos superiores a R$ 2,7 milhões. Há ainda fornecedores que alegam atrasos desde janeiro do ano passado.

De acordo com o promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, as investigações começaram após reclamações sobre a ausência de exames na rede municipal.

“Acionamos as empresas responsáveis pelo fornecimento dos kits para realização desses exames, e uma delas informou que deixou de fornecer justamente porque não estava recebendo do município”, afirmou.

Além da falta de exames, o Ministério Público também investiga reclamações envolvendo ausência de medicamentos, demora em atendimentos e déficit de profissionais na rede pública.

Entre os medicamentos em falta, o MP identificou a ausência de losartana, medicamento amplamente utilizado no tratamento da hipertensão.

Durante audiência pública de prestação de contas, o secretário municipal de Fazenda, Isaac José Araújo, reconheceu a existência de débitos, mas contestou os números divulgados.

Segundo a prefeitura, os R$ 197 milhões referem-se a despesas registradas até fevereiro, sendo que cerca de R$ 143 milhões corresponderiam a produtos ou serviços ainda não entregues, o que, segundo o município, não exige pagamento imediato. A administração municipal afirma que a dívida efetiva seria de aproximadamente R$ 53 milhões, incluindo R$ 20 milhões relacionados diretamente à saúde.

Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, a principal preocupação está na aplicação dos recursos.

“Grande parte do financiamento da assistência farmacêutica vem dos governos federal e estadual. Se o recurso está chegando, precisamos entender por que fornecedores não estão recebendo”, afirmou.

A crise também tem repercutido na Câmara Municipal. Desde 2025, vereadores discutem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na saúde, mas a proposta ainda não alcançou o número mínimo de assinaturas necessárias.

Enquanto isso, a prefeitura afirma manter diálogo com órgãos de controle e fornecedores para regularizar pagamentos e evitar prejuízos à população.

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