As chuvas intensas registradas nos últimos dias alteraram a rotina dos moradores de Corguinho, município localizado a 96 quilômetros de Campo Grande, e provocaram alagamentos, isolamento de famílias e prejuízos à infraestrutura rural. Em apenas 72 horas, o volume de chuva ultrapassou 240 milímetros, índice cerca de 40% acima do esperado para todo o mês de fevereiro.
Somente na terça-feira (3), foram registrados 92 milímetros de precipitação, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. A elevação repentina do nível dos rios e córregos causou transbordamentos em diferentes pontos do município.
No balneário da cidade, onde o córrego Corguinho deságua no rio Aquidauana, a força da correnteza chamou a atenção de moradores antigos. O vigilante Gilmar Alves Gomes, que vive na região há mais de 50 anos, comparou a situação à grande enchente registrada em 2013 e relatou o impacto causado pelo volume de água. Segundo ele, a sensação é de que a água não para de subir, tamanha a intensidade das chuvas.
Com o avanço do rio, o deck utilizado por turistas ficou completamente submerso. A faixa de areia desapareceu e até a escada de acesso ao balneário foi tomada pela água, evidenciando a dimensão do alagamento.
Na zona rural, a situação é ainda mais delicada. Na região de Indaiá, a enxurrada destruiu parte da cabeceira de uma ponte, que precisou ser interditada pela Defesa Civil. Pelo menos 20 famílias ficaram isoladas, já que a estrutura era o único acesso à localidade.
O coordenador da Defesa Civil de Corguinho, José Correia Salgado, explicou que o isolamento preocupa principalmente por se tratar de um município produtor. Segundo ele, o transporte de leite e de alimentos depende das estradas vicinais, e os danos comprometem tanto o escoamento da produção quanto o funcionamento das linhas escolares, especialmente com o início do ano letivo previsto para o dia 9.
No distrito de Taboquinho, a cerca de 45 quilômetros da área urbana de Corguinho, o rio Taboco invadiu residências. O construtor Carlos Roberto Ferreira contou que o quintal de sua casa ficou alagado, com a água atingindo aproximadamente 1,5 metro de altura. Ele afirmou que, em 34 anos morando no local, nunca havia presenciado uma enchente dessa proporção.
Apesar dos transtornos e do susto, alguns moradores veem a chuva como necessária. Carlos destacou que, desde a década de 1980, muitos córregos da região vinham secando e que o retorno das chuvas representa uma forma de renovação ambiental. Segundo ele, mesmo com os alagamentos temporários, a água tende a baixar com o tempo.
A Defesa Civil segue monitorando a situação no município, enquanto moradores aguardam a diminuição do nível dos rios e a recuperação dos acessos, especialmente nas áreas rurais mais afetadas.
Foto: Francisco Gomes










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