O aumento de casos de Mpox no Brasil tem levado autoridades de saúde a intensificar o monitoramento da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 1º de janeiro e 9 de março deste ano foram confirmados 140 casos da infecção viral no país, além de nove casos prováveis e 539 pessoas com suspeita da doença. Os registros envolvem pacientes de 12 estados e do Distrito Federal, com maior concentração em São Paulo.
Segundo o oftalmologista Pedro Antônio Nogueira Filho, chefe do pronto socorro do H.Olhos, o principal sintoma da doença são erupções ou lesões na pele que podem surgir em diversas partes do corpo, como mãos, pés, tronco, boca e órgãos genitais.
O especialista explica que a infecção também pode apresentar manifestações oculares. Entre os sinais de alerta estão conjuntivite, dor nos olhos, coceira, sensibilidade à luz, visão turva, inchaço das pálpebras e lesões ou bolhas na região ocular. Além disso, o paciente pode apresentar febre, calafrios, aumento dos gânglios linfáticos, fraqueza, dor de cabeça e dores no corpo.
O tratamento é voltado principalmente ao controle dos sintomas. Em alguns casos podem ser utilizados analgésicos, antitérmicos ou medicamentos antivirais quando o quadro é considerado mais grave. Para sintomas oculares, podem ser indicados colírios lubrificantes, antivirais ou antibióticos, além de compressas frias e úmidas sobre os olhos fechados para reduzir o inchaço. A limpeza das pálpebras também pode ser feita com soro fisiológico.
Após o contato com o vírus, os sintomas podem levar de três a 21 dias para aparecer. O risco de transmissão é maior entre o início dos sinais da doença e a cicatrização completa das lesões.
Para reduzir as chances de infecção, especialistas orientam evitar contato direto com pessoas doentes ou com objetos contaminados, além de manter a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel. Profissionais de saúde e cuidadores devem utilizar máscaras e luvas e, quando indicado, receber a vacina contra a doença disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde para grupos prioritários.
A Mpox é considerada uma zoonose, pois pode ser transmitida entre animais e seres humanos, além da transmissão entre pessoas. Estudos apontam que o vírus é frequentemente associado a pequenos roedores, como esquilos. Os macacos são considerados hospedeiros ocasionais, assim como os humanos. Para evitar estigmas relacionados aos primatas, a Organização Mundial da Saúde passou a utilizar o nome Mpox em substituição à antiga denominação varíola dos macacos.
Em caso de suspeita da doença, a orientação é procurar atendimento médico e utilizar máscara, mantendo distância de outras pessoas para evitar a transmissão. O médico também alerta que o paciente deve evitar tocar nas feridas e não utilizar medicamentos por conta própria. O uso de anti inflamatórios não esteroides, corticoides, ácido acetilsalicílico e anticoagulantes sem orientação médica pode agravar o quadro inflamatório e provocar complicações.









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