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Cão comunitário Abacate morre baleado após semana marcada por caso de crueldade que chocou o país

por | jan 28, 2026 | Últimas notícias

O cachorro comunitário Abacate, conhecido e cuidado por moradores do bairro Tocantins, em Toledo, no oeste do Paraná, morreu na terça-feira, 27 de janeiro, após ser atingido por um disparo de arma de fogo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que tenta identificar o autor do tiro e esclarecer as circunstâncias do crime.

A morte de Abacate ocorre na mesma semana em que a brutal agressão contra o cão Orelha, em Santa Catarina, gerou comoção nacional e reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais no Brasil.

Abacate foi encontrado gravemente ferido por moradores do bairro durante a manhã e levado com urgência a uma clínica veterinária particular. Durante os exames, os profissionais constataram que o animal havia sido baleado. O projétil atravessou o corpo do cachorro, perfurou o intestino em dois pontos e provocou uma grave contaminação abdominal.

Diante da gravidade do quadro, Abacate passou por uma cirurgia de emergência. Apesar dos esforços da equipe veterinária, o animal não resistiu às complicações e morreu ainda durante o procedimento. Segundo os médicos, além das lesões intestinais, o disparo também comprometeu os rins, o que agravou rapidamente o estado de saúde.

Após a confirmação de que o ferimento havia sido causado por um tiro, a equipe de Proteção Animal do município foi acionada. Moradores relataram que Abacate vivia de forma comunitária, dormia na casa de uma moradora e costumava sair sozinho pela manhã. Na terça-feira, após seguir sua rotina habitual, foi encontrado horas depois em estado crítico.

Maus-tratos contra animais são considerados crime no Brasil, com previsão de pena de prisão e multa, conforme a legislação vigente.

O caso Orelha

A morte de Abacate acontece poucos dias após a divulgação do caso do cão Orelha, que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina. Em 16 de janeiro, a Polícia Civil catarinense tomou conhecimento do crime após moradores relatarem o desaparecimento do animal. Dias depois, Orelha foi encontrado por um de seus cuidadores gravemente ferido e agonizando.

O cachorro não resistiu aos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia. As investigações identificaram quatro adolescentes como suspeitos do ato infracional de maus-tratos, com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos pela polícia. Caso a participação seja confirmada, eles responderão conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, com aplicação de medidas socioeducativas que podem variar de advertência e prestação de serviços à comunidade até liberdade assistida e, em situações excepcionais, internação.

A Polícia Civil de Santa Catarina também apura um segundo episódio envolvendo os mesmos adolescentes. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a tentativa de afogamento de outro cachorro, conhecido como Caramelo, que teria sido jogado no mar. Segundo o delegado Ulisses Gabriel, há dois casos distintos em investigação, um envolvendo Orelha, com uso de instrumento contundente, e outro relacionado ao cão Caramelo, registrado em vídeo.

As autoridades agora trabalham para esclarecer se os episódios estão ligados e se os crimes foram praticados pelos mesmos autores, enquanto os casos reforçam o alerta para a gravidade e a recorrência da violência contra animais no país.

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