O ex-presidente Jair Bolsonaro foi transferido na noite desta quinta-feira para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Até então, Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ocupava uma Sala de Estado Maior.
Segundo a decisão de Moraes, a nova cela oferece condições consideradas mais favoráveis do que as instalações da Polícia Federal. O espaço destinado ao ex-presidente possui cerca de 65 metros quadrados, sendo aproximadamente 55 metros quadrados de área coberta e 10 metros quadrados de área externa. No local há quarto, banheiro, sala, cozinha, lavanderia e um espaço externo que permite a realização de banho de sol com privacidade e sem restrição de horário.
A estrutura inclui banheiro com chuveiro de água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão. Também há possibilidade de instalação de equipamentos para exercícios físicos e fisioterapia, como esteira e bicicleta. De acordo com Moraes, o novo local permitirá maior flexibilidade para a realização de atividades físicas, além de ampliar o tempo de visitas de familiares, advogados e atendimento médico, que poderão ocorrer tanto na área coberta quanto na externa da cela.
Antes da efetiva transferência, Bolsonaro foi submetido a exames médicos de rotina. Um rápido check-up avaliou pressão arterial, presença de lesões ou hematomas, uso de medicamentos e possíveis dificuldades de locomoção. Após os exames, ele retornou à Papudinha ainda no início da noite. A chegada do ex-presidente ao local foi registrada por equipes de imprensa, e a Polícia Civil do Distrito Federal interditou temporariamente as vias de acesso ao batalhão por questões de segurança.
Na decisão, Alexandre de Moraes incluiu um quadro comparativo entre a antiga cela na Polícia Federal, com cerca de 12 metros quadrados e composta apenas por quarto e banheiro, e a nova instalação na Papudinha, destacando a diferença de espaço, infraestrutura e privacidade. O ministro afirmou que, apesar das condições diferenciadas, a prisão não deve ser confundida com regalias e ressaltou que não se trata de uma colônia de férias.
Moraes também contextualizou a decisão citando a realidade do sistema prisional brasileiro, que enfrenta superlotação e déficit estrutural de vagas. Dados do Sistema de Informações Penitenciárias indicam que mais de 940 mil pessoas estavam sob custódia penal no país no primeiro semestre de 2025. O ministro destacou que, historicamente, a execução da pena em regime fechado ocorre de forma desigual, com a maioria dos presos enfrentando condições precárias, enquanto Bolsonaro, por ter exercido a Presidência da República, cumpre pena em cela especial.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na trama golpista relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023. Na Papudinha, ele ficará em cela separada de outros detentos, entre eles o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, também condenados no mesmo processo.






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