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Bolsonaro completa seis meses preso enquanto aliados articulam prisão domiciliar e tentam preservar força política do clã

por | fev 4, 2026 | Últimas notícias

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa seis meses de prisão nesta quarta-feira (4) em meio a articulações jurídicas e políticas para tentar retomar o regime de prisão domiciliar e manter a relevância eleitoral da família Bolsonaro. Atualmente detido no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Papudinha, Bolsonaro busca reverter a situação após ter perdido o direito à domiciliar em novembro do ano passado, quando violou a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda.

A decisão sobre eventual retorno à prisão domiciliar cabe ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Em 4 de agosto, Moraes havia determinado que Bolsonaro ficasse recluso em sua residência, em um condomínio de Brasília, após o ex-presidente aparecer em vídeos divulgados por aliados durante uma manifestação, mesmo estando proibido de usar redes sociais.

Aliados que acompanham o processo avaliam que a transferência para prisão domiciliar não deve demorar, considerando a idade de Bolsonaro, de 70 anos, e seu estado de saúde, marcado por tonturas, crises de soluço e cirurgias recentes. Parte dos ministros do STF, antes resistente a esse argumento, passou a considerar a possibilidade, o que aumentou o otimismo entre bolsonaristas.

Segundo interlocutores, a concessão da domiciliar ainda não ocorreu em razão do ambiente de tensão entre o bolsonarismo e o Supremo. Parlamentares da direita falam em perseguição política, injustiça e cerceamento de defesa. A defesa do ex-presidente já apresentou pedido formal após Bolsonaro ter sido condenado, em setembro do ano passado, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Uma das principais apostas do grupo político é um laudo médico solicitado por Alexandre de Moraes, que deve ser entregue nesta semana. O documento vai indicar se Bolsonaro tem condições de continuar cumprindo pena na Papudinha. A avaliação médica foi realizada no último dia 20.

Outra frente envolve o Congresso Nacional. Parlamentares aliados pressionam pela derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado PL da Dosimetria, que poderia reduzir a pena do ex-presidente e facilitar a progressão de regime. Até o momento, não há previsão para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), coloque o veto em votação.

A possibilidade de prisão domiciliar também ganhou força após articulações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto a ministros do STF. A transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, no dia 15 de janeiro, foi interpretada como uma vitória desse grupo. A nova cela tem 64,83 metros quadrados, bem maior que os 12 metros quadrados da sala onde ele estava na PF.

No entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a movimentação foi vista como tentativa de Michelle e Tarcísio de se fortalecerem politicamente. Apesar disso, Bolsonaro, que está inelegível desde 2023 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, consolidou a indicação de Flávio como seu sucessor político na disputa presidencial deste ano, contrariando setores do centrão e do mercado financeiro que defendiam o nome de Tarcísio.

Aliados afirmam que a prisão, o agravamento da saúde e a dificuldade de obter a domiciliar pesaram na escolha por um nome do próprio clã, numa estratégia para preservar o capital político e eleitoral da família. Avalia-se que lançar um Bolsonaro à Presidência é mais seguro do que correr o risco de perder protagonismo para uma liderança externa.

Integrantes do PL reconhecem que a prisão limita as articulações políticas, já que Bolsonaro tem visitas restritas e não participa diretamente das negociações eleitorais. Além disso, o grupo não poderá contar com sua capacidade de mobilização popular durante a campanha. Por outro lado, há quem avalie que a vitimização do ex-presidente pode gerar efeito eleitoral positivo.

O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que a permanência de Bolsonaro na prisão fortalece sua imagem junto à opinião pública e alertou para os riscos à saúde do ex-presidente. Visitantes relatam que Bolsonaro tem apresentado tonturas causadas por medicamentos usados para conter crises de soluço, além de abatimento emocional pela falta de contato direto com apoiadores.

Segundo o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, Bolsonaro está fragilizado, com risco de quedas e redução do apetite. Mesmo assim, a rotina na Papudinha inclui caminhadas, atendimento médico diário, fisioterapia, visitas de familiares e advogados e apoio religioso eventual. De acordo com relatório enviado pela Polícia Militar do DF ao STF, entre os dias 15 e 27 de janeiro, Bolsonaro não leu livros, atividade que poderia contribuir para a redução de sua pena.

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