Prestes a completar 80 anos, o cantor e compositor Alceu Valença prepara uma nova turnê que celebra sua trajetória na música brasileira. Intitulada “80 Girassóis”, a série de shows revisita diferentes fases da carreira do artista e estreia em São Paulo no dia 28 de março.
O espetáculo foi pensado como uma narrativa musical contínua, reunindo canções marcantes principalmente das décadas de 1970 e 1980. Segundo o próprio cantor, a ideia é criar uma espécie de viagem pela história de sua obra.
“Uma música interliga na outra, como se fosse um filme”, explicou o artista ao comentar o conceito do show.
O nome da turnê faz referência ao ciclo de vida do girassol, que dura cerca de um ano, simbolizando renovação e continuidade.
Vitalidade perto dos 80
Alceu Valença completa 80 anos no dia 1º de julho, mas afirma que a idade não diminuiu sua energia. Pelo contrário.
“Me sinto com 80 anos ao contrário. Oito anos talvez”, brincou o cantor.
A disposição tem sido demonstrada em sua rotina intensa de apresentações e participações em eventos, como o Carnaval. Há 11 anos, ele também comanda o bloco Bicho Maluco Beleza, um dos mais populares da folia em São Paulo.
Para o artista, a convivência com o público jovem é um dos fatores que ajudam a manter o entusiasmo.
Origem nordestina e início da carreira
Natural de São Bento do Una, no interior de Pernambuco, Alceu relembra que, no início da carreira, sua proposta artística nem sempre era compreendida no Sudeste do país.
Segundo ele, havia pouco conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira, o que fazia com que a música nordestina fosse vista com estranhamento.
Antes de se dedicar integralmente à música, o artista formou-se em direito e chegou a trabalhar como jornalista e advogado. A experiência na advocacia, no entanto, durou pouco.
“Eu estava defendendo uma parte, mas achei que quem tinha razão era o outro. Aí dei tchau”, contou, em tom bem-humorado.
Sucessos e reconhecimento
O primeiro disco de Alceu Valença foi lançado em 1972, “Quadrafônico”, em parceria com Geraldo Azevedo. O grande sucesso nacional viria anos depois com o álbum “Cavalo de Pau”, que trouxe canções que se tornaram clássicos da música brasileira, como Tropicana e Como Dois Animais.
Entre os trabalhos e viagens da juventude, o artista também viveu nos Estados Unidos, onde estudou sociologia e desenvolvimento da América Latina na Universidade Harvard. Na época, porém, preferia tocar violão nas ruas de Boston, em meio ao clima cultural marcado pelo movimento hippie e pelos protestos contra a Guerra do Vietnã.
Em uma dessas apresentações, um jornalista local o ouviu tocar e publicou uma reportagem chamando o brasileiro de “Bob Dylan brasileiro”. O cantor conta que, na época, sequer conhecia o artista americano.
Cinema e novos projetos
Além da música, Alceu também se aventurou no cinema. Em 2016, dirigiu o longa-metragem A Luneta do Tempo. Apesar de ter sido premiado, o filme teve pouca circulação nos cinemas.
Mesmo assim, ele celebra o momento atual do audiovisual brasileiro, especialmente as produções vindas de Pernambuco, que têm conquistado reconhecimento internacional.
Rotina ativa
Para manter a vitalidade, o cantor afirma cultivar hábitos simples no dia a dia. Um deles é caminhar cerca de 17 mil passos diariamente.
“Quando caminho menos, faço dez mil”, afirmou. Na juventude, ele também praticou basquete e chegou a integrar a seleção pernambucana do esporte.
A turnê “80 Girassóis” deve passar por diversas cidades brasileiras, como Salvador, Curitiba, Recife, Fortaleza e Belém, além de apresentações previstas em Portugal.
Independentemente do local, o entusiasmo continua o mesmo. “Se eu estiver num palco em São Bento do Una, em São Paulo ou em Berlim, quando eu chego, eu adoro”, concluiu o artista.









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