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Especialistas compartilham orientações para tornara readaptação mais leve após as férias de julho
Depois de semanas com horários mais flexíveis, viagens, passeios e uma rotina menos estruturada, a volta às aulas do segundo semestre representa um novo período de readaptação para crianças, adolescentes e suas famílias. Embora o retorno seja mais tranquilo do que costuma ser o início do ano letivo, a retomada dos compromissos escolares exige atenção aos aspectos emocionais, físicos e organizacionais.
A boa notícia é que pequenas atitudes adotadas nos dias que antecedem o primeiro dia de aula podem tornar essa transição mais leve. Segundo educadores, o planejamento, acolhimento e diálogo são fundamentais para que os estudantes retomem a rotina com segurança, motivação e bem-estar.
Readaptar a rotina e os horários antes do primeiro dia de aula
Um dos principais desafios da volta às aulas após as férias é reorganizar a rotina. Durante o recesso, é comum que crianças e adolescentes durmam mais tarde e tenham horários menos rígidos. Por isso, a recomendação é iniciar a readaptação alguns dias antes do retorno às aulas, ajustando gradualmente os horários de dormir, acordar e realizar as refeições.
“Quando a retomada da rotina acontece de forma gradual, a criança chega ao primeiro dia de aula mais descansada e preparada. A previsibilidade traz segurança e reduz o impacto da transição entre o período de férias e as exigências da vida escolar”, afirma Pâmela Lopes, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Itu (SP).
O período de férias também costuma ser marcado pelo aumento do tempo de exposição a celulares, tablets e videogames. Embora façam parte do cotidiano das crianças e adolescentes, o uso excessivo pode dificultar a retomada do ritmo escolar, especialmente quando interfere no sono e na capacidade de manter a atenção por períodos mais longos.
“O cérebro se adapta aos estímulos que recebe com frequência. Quando predominam conteúdos rápidos e altamente estimulantes, a transição para atividades que exigem persistência e concentração pode se tornar mais desafiadora. Por isso, é importante que a redução do tempo de telas aconteça gradualmente nos dias que antecedem o retorno às aulas”, acrescenta Pâmela.
Inclua a criança nos preparativos para o retorno
A família deve incluir crianças e adolescentes nos preparativos do retorno. Transformar a volta às aulas em um momento de participação pode ajudar a despertar o entusiasmo dos estudantes. “Quando o aluno participa, ele deixa de receber decisões prontas e passa a ser dono da própria jornada. Na infância, isso fortalece a autonomia. Na adolescência, desenvolve protagonismo e noção de consequência”, explica Audrey Taguti, pedagoga há 40 anos e diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Com as crianças menores, organizar materiais e arrumar a mochila funciona como forma de inclusão no processo. Já para os adolescentes, é preciso rever horários, definir metas para notas e entender o que ficou pendente no primeiro semestre. “Julho não é janeiro. O aluno já conhece professores, colegas e regras. Por isso, a volta às aulas do meio do ano é o momento de cobrar mais maturidade”, acrescenta Audrey.
Segundo a docente, o comprometimento é inegociável: se no primeiro semestre ainda valia o “estou me adaptando”, agora o adolescente precisa entender que frequência, entrega de trabalhos e estudo contínuo definem o resultado final. “É hora de trocar o ‘depois eu vejo’ por planejamento”, diz a educadora.
“O jovem precisa entender que cada aula constrói o boletim de dezembro. Que o vestibular, o ENEM e o futuro profissional fazem parte da organização do ano letivo, e principalmente na reta final do segundo semestre”, reforça Audrey.
A participação da criança nesse processo não deve estar condicionada a recompensas ou prêmios. “Prometer presente, dinheiro ou viagem por nota gera motivação errada. A criança e o adolescente precisam separar: a escola é compromisso, não negociação. O reconhecimento vem do esforço, da autonomia conquistada e das portas que a educação abre”, afirma Audrey.
A família também precisa se preparar
A volta às aulas não mobiliza apenas os estudantes. Pais e responsáveis também precisam reorganizar horários, expectativas e emoções para acompanhar esse novo ciclo. É importante manter uma comunicação aberta em casa, acolhendo dúvidas, inseguranças e expectativas que possam surgir nos primeiros dias de aula.
Segundo Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), a ansiedade dos adultos pode ser percebida pelas crianças, influenciando diretamente a forma como elas encaram o retorno à escola. Por isso, é importante que as famílias demonstrem confiança e tranquilidade durante esse processo. “Os filhos observam constantemente as reações dos adultos. Quando os responsáveis transmitem segurança e confiança na escola, a tendência é que a criança se sinta mais confortável para enfrentar os desafios naturais da readaptação”, diz.
Ainda segundo Jacqueline, a readaptação das crianças menores pode ser um pouco mais difícil e por isso, é importante que os professores e demais pessoas envolvidas na vida escolar dos pequenos se preparem para um possível retorno à insegurança do início do ano. O diálogo e o apoio às famílias são essenciais para que todos os pequenos passem por esta fase com tranquilidade.
Jacqueline também destaca que reencontrar colegas antes do primeiro dia de aula pode contribuir para uma readaptação mais tranquila. “Os vínculos de amizade são importantes fontes de acolhimento emocional e ajudam a criar expectativas positivas para o retorno.”
Primeira vez na escola exige atenção especial
Para algumas famílias, o segundo semestre coincide com um momento ainda mais marcante: a primeira experiência de crianças pequenas na Educação Infantil representa uma grande mudança na rotina familiar e na vida do novo aluno, que passa a conviver com novos adultos, colegas e ambientes.
Antes do início das aulas, é recomendável que as famílias conversem com os pequenos sobre o que está por vir de forma clara e positiva, preparando a criança para as novidades que encontrará pela frente. Falar sobre os professores, as brincadeiras, os novos amigos e a rotina escolar ajuda a reduzir a ansiedade e cria expectativas mais saudáveis em relação a essa nova fase.
“Entrar na escola é uma experiência emocional significativa. Quando a criança se sente acolhida, compreendida e segura, ela cria vínculos positivos com o espaço escolar e desenvolve mais confiança para explorar, aprender e se relacionar”, explica Teca Antunes, diretora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). “É importante responder às dúvidas com sinceridade, sem prometer que tudo será perfeito ou que não haverá momentos de insegurança.”
Além disso, para evitar cenas de “choro” na porta da escola nos primeiros dias, Teca recomenda que a família evite despedidas longas, saídas escondidas ou demonstrações excessivas de insegurança. Explicar previamente como será a rotina, quem será responsável por levar e buscar a criança, e realizar uma despedida breve e afetuosa ajuda a transmitir confiança.
“O choro faz parte da adaptação e nem sempre indica que algo está errado. O mais importante é que os adultos demonstrem segurança, porque a criança se apoia nas reações dos responsáveis para interpretar essa nova experiência”, afirma. A educadora ressalta que cada criança tem seu próprio ritmo. “Quando família e escola atuam em parceria, oferecendo previsibilidade, afeto e confiança, a adaptação tende a acontecer de forma mais tranquila e positiva”.
A adaptação também merece atenção especial nos casos de estudantes mais velhos que ingressam em uma nova escola, seja por mudança de cidade ou escolha da família. Além de precisarem se ambientar com um ambiente desconhecido, eles podem sentir saudade dos amigos, professores e vínculos construídos na instituição anterior. Nesses momentos, é fundamental validar os sentimentos da criança ou do adolescente, sem minimizar a importância das relações que ficaram para trás.
“Ao mesmo tempo, é possível ajudar esse aluno a enxergar as oportunidades que acompanham a mudança, como a possibilidade de fazer novas amizades, conhecer diferentes formas de aprender, desenvolver autonomia e ampliar sua visão de mundo. Muitas vezes, aquilo que inicialmente gera insegurança acaba se transformando em uma experiência rica de crescimento pessoal”, conclui Teca.
Os especialistas
Audrey Taguti acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.
Jacqueline Cappellano é pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
Pamela Lopes Fragoso é formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Psicologia Escolar (Yale University), Liderança e Gestão Participativa na Escola (FGV), Metodologias Ativas (Ativar/USP), entre outras. Atualmente é Coordenadora do Ensino Fundamental I do Progresso Bilíngue Itu, atuando na condução estratégica de equipes e na implementação de projetos voltados à inovação pedagógica, metodologias ativas e aprendizagem. Comprometida com uma educação transformadora, fundamentada nas diferenças individuais de aprendizagem, na formação integral e no desenvolvimento socioemocional de estudantes e educadores, atuando com sensibilidade humana, mobilizando equipes, promovendo ambientes colaborativos e o fortalecimento da cultura escolar.
Teca Antunes é pedagoga, Mestre em Educação Especial e pós graduada nas áreas de Didática para Educação Bilíngue e Alfabetização. Tem experiência em sala de aula e na gestão de escolas bilíngues, além de atuar como formadora de professores em diversas áreas. Na Escola Bilíngue Aubrick, atua na direção pedagógica promovendo o alinhamento de práticas frente ao projeto pedagógico da instituição, acompanhando o desenvolvimento profissional dos colaboradores e buscando construir uma experiência de excelência e relevância para todos os estudantes.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.
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