MS lidera ranking de maus-tratos contra crianças e adolescentes — Foto: Arquivo
Três anos após a morte de Sophia Ocampo, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de registros de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o estado registrou, em 2025, a maior taxa do país, enquanto o Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente, anunciado após o caso, ainda não foi construído.
De acordo com o levantamento, Mato Grosso do Sul contabilizou 1.593 ocorrências de maus-tratos em 2025, o equivalente a uma taxa de 206,5 casos por 100 mil crianças e adolescentes de até 17 anos. O índice é quase três vezes superior à média nacional, de 77,4 casos por 100 mil habitantes da mesma faixa etária.
O estado aparece à frente de Rondônia (197,3), Amapá (187,6), Sergipe (164,9) e Santa Catarina (160,7). Em todo o Brasil, foram registrados 38.986 casos no ano passado.
O anuário aponta que parte das agressões ocorre no ambiente familiar e também em espaços públicos. Em relação a 2024, os registros de maus-tratos cresceram 14,6%, enquanto, na comparação com 2021, mais que dobraram. Já os casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica aumentaram 5,5% em um ano e 15% nos últimos cinco anos.
Entre as crianças de 5 a 9 anos estão as maiores taxas de maus-tratos do país. Os índices permanecem elevados até os 13 anos e diminuem na adolescência. Em contrapartida, as ocorrências de lesão corporal em contexto de violência doméstica aumentam conforme a idade, atingindo o maior índice entre adolescentes de 14 a 17 anos.
Em 2026, diversos casos de suspeita de maus-tratos continuam sendo investigados pela Polícia Civil em Mato Grosso do Sul. Entre eles, estão as agressões contra um bebê de um ano em Campo Grande, uma criança de sete meses em Nova Andradina, uma bebê de três meses também na Capital e um adolescente de 14 anos com deficiência severa, supostamente torturado por um técnico de enfermagem durante atendimento domiciliar.
Centro especializado ainda não foi construído
A criação do Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente foi anunciada pelo Governo do Estado em março de 2023, pouco depois da morte de Sophia Ocampo. A proposta previa uma unidade integrada à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com funcionamento 24 horas, em um terreno localizado em frente à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande.
Passados três anos, a área destinada ao empreendimento permanece sem obras. Em agosto de 2025, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Carlos Videira, afirmou que a unidade seria concluída em 2026. Entretanto, ainda não há previsão para o início da construção.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o projeto está em fase de planejamento e análise técnica, com adequações sendo realizadas em conjunto com a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).
O centro deverá ocupar uma área de 5.952 metros quadrados, formada por 13 terrenos doados pela União ao Estado em 2024, e contará com investimento estimado em R$ 10 milhões.
Caso Sophia
Sophia Ocampo morreu em 26 de janeiro de 2023, após chegar sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Segundo a Polícia Civil, a menina apresentava diversos hematomas pelo corpo.
As investigações apontaram que a criança havia sido atendida mais de 30 vezes na mesma unidade de saúde, sempre com indícios de violência. A mãe, Stephanie de Jesus da Silva, e o padrasto, Christian Campoçano Leitheim, foram presos e respondem pelo crime. O caso expôs falhas na rede de proteção à infância e motivou o anúncio da criação do centro especializado, que ainda aguarda a execução da obra.






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