O desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido liminar da defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, para suspender a ordem de prisão expedida contra ele.
Neno Razuk está foragido desde o dia 8 de julho, quando a Justiça determinou o início do cumprimento da pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, no âmbito da Operação Successione.
O habeas corpus foi protocolado pela defesa na quarta-feira (15). Com a decisão, o pedido liminar foi rejeitado, mas o mérito da ação ainda será analisado pelos demais desembargadores da 1ª Câmara Criminal do TJMS. A expectativa da defesa é de que o julgamento ocorra no prazo de até um mês.
Em nota, o advogado Ricardo Souza Pereira afirmou que recebeu a decisão com serenidade e ressaltou que o desembargador não analisou o mérito das teses apresentadas. Segundo a defesa, não existem mais os requisitos legais para manutenção da prisão preventiva, uma vez que os fatos utilizados para justificar a medida seriam antigos e não demonstrariam risco atual.
A ordem de prisão foi expedida após o trânsito da condenação em primeira instância. Neno Razuk permaneceu sem cumprir a pena anteriormente porque era beneficiado pela imunidade parlamentar. A proteção foi encerrada em 21 de maio deste ano, após a recontagem dos votos das eleições de 2022 alterar a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), resultando na perda do mandato para João César Mattogrosso.
Além da pena de prisão, a sentença determinou a perda do mandato e proibiu o ex-deputado de exercer cargo público pelo período de oito anos.
A Operação Successione investiga um grupo apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) como responsável por assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Além de Neno Razuk, respondem à ação penal o pai dele, Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk, além de outras 16 pessoas.
Segundo as investigações, integrantes da organização participaram de três roubos contra funcionários de um grupo rival, em Campo Grande, durante outubro de 2023. O Ministério Público também aponta que o grupo movimentava cerca de R$ 600 mil por mês com a exploração do jogo do bicho no estado.
Durante a operação, foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas na atividade, além de documentos, celulares, computadores, planilhas, R$ 274 mil em dinheiro e mais de mil euros em espécie. Com base nas investigações, o Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk.




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