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Entre partituras e sonhos, jovens emocionam no palco do 1º Encontro de Orquestras do Sesc MS

por | jul 10, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

O palco do Teatro Glauce Rocha recebeu, na noite desta quinta-feira (09.07), o resultado de seis dias de estudo, convivência e prática musical do 1º Encontro de Orquestras Jovens Sesc MS. Diante de um público mobilizado por quase 900 ingressos distribuídos, cerca de 140 participantes, entre crianças, adolescentes e jovens de 9 a 25 anos, apresentaram um concerto construído coletivamente ao longo de oficinas, ensaios e recitais realizados desde o sábado anterior.

Promovido pelo Sesc Mato Grosso do Sul em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o encontro reuniu alunos da Orquestra Jovem Sesc MS e de instituições e projetos sociais que desenvolvem atividades musicais em diferentes regiões de Campo Grande. No palco, grupos de cordas iniciantes, violinos, violoncelos, percussão, coral e orquestra mostraram o resultado de uma programação voltada ao aperfeiçoamento técnico, à integração entre os participantes e ao fortalecimento da música como instrumento de formação humana.

A gerente da unidade executiva do Sesc Lageado, Cirlene Cruz, acompanhou de perto a preparação dos estudantes e destacou que a expectativa para o concerto foi construída ao longo de uma semana marcada por intensa dedicação. Além do aprendizado técnico, ela ressaltou o impacto de uma experiência inédita para jovens que tiveram contato com professores de diferentes regiões e puderam vivenciar a rotina de uma formação orquestral mais próxima do ambiente profissional.

“Foi uma semana de muito estudo, muita troca e uma experiência inovadora para os alunos, com professores excelentes e uma programação intensa. Tivemos 140 participantes durante as oficinas, divididos em diferentes formações, e todos chegaram ao palco preparados para entregar o melhor. A expectativa era muito alta, tanto pela qualidade artística quanto pela resposta do público, e foi muito bonito ver esses jovens se divertindo, confiantes e mostrando o resultado de tudo o que aprenderam”, afirmou.

Durante os seis dias de programação, os estudantes participaram de classes específicas por instrumento, ensaios orquestrais, atividades de canto e coral e recitais com os professores convidados. O corpo docente reuniu nomes como Jéssica Gubert, Yndira Villarroel, Érika Muniz, Mônica Buceli, Fábio Presgrave, Joachim Emídio, Fábio Cerqueira, Cássia Carrascoza e o maestro Geovane Marquetti, que conduziu o trabalho coletivo apresentado no encerramento.

Integrante da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e também formado em um projeto social de música, o maestro trouxe para o encontro uma trajetória semelhante à de muitos dos participantes. Ao longo da semana, ele trabalhou técnicas de ensaio, sonoridade, escalas, equilíbrio entre os naipes e a importância de escutar as demais vozes da orquestra, aproximando os estudantes de práticas utilizadas no ambiente profissional.

“Eu também sou oriundo de um projeto social e comecei em um espaço onde acreditaram em mim, mesmo quando eu ainda não imaginava ser músico. Fiquei 14 anos nesse projeto e foi ali que conheci o instrumento e tive a oportunidade de estudar. Por isso, entendo que a minha missão aqui também foi direcionar esses alunos para que possam sonhar e, quem sabe, se profissionalizar. Mesmo que não sigam a música como profissão, ela pode contribuir para que sejam cidadãos melhores, disciplinados e preparados para outros caminhos”, explicou o maestro.

Entre os estudantes que participaram do encontro estava Raíssa Maria, de 20 anos, integrante da Associação Projeto Águia, localizada no Jardim Colúmbia. Instrumentista de violino e guitarra, ela destacou as aulas com a professora Yndira Villarroel e os conhecimentos adquiridos em técnicas como mudança de posição, afinação e postura. Para a jovem, a oportunidade de aprender com profissionais de fora e dividir a experiência com músicos de outros projetos tornou a semana especialmente significativa.

“Foi maravilhoso e uma grande oportunidade, porque experiências como essa não acontecem todos os dias e precisamos aproveitá-las. As aulas foram muito importantes, principalmente pela metodologia da professora, que nos ajudou a entender melhor o instrumento e a aperfeiçoar detalhes técnicos que fazem diferença na maneira como tocamos”, contou Raíssa.

Também aluno do Projeto Águia, Renan Lucas Garcia, de 15 anos, começou a participar das atividades musicais aos 13, depois de ser convidado por um integrante da associação enquanto estava na casa da avó. O interesse inicial pelo violino abriu caminho para outras oficinas, entre elas bateria e teclado. No Encontro de Orquestras, ele recebeu orientações sobre postura, execução correta das notas e cuidados para evitar lesões, além de conhecer novos professores e fazer amizades.

“Foi uma oportunidade única. Aprendi como manter a postura correta para não machucar a mão, como tocar as notas com mais precisão e conheci pessoas muito legais. Também fiz vários amigos e tive o apoio de toda a minha família para participar. Gostei muito da experiência e recomendo para outros jovens, porque é uma semana em que a gente aprende, convive e descobre coisas novas”, relatou.

Para as famílias, o concerto foi também um momento de acompanhar de perto o desenvolvimento dos participantes. Renata Amaral de Oliveira, moradora do bairro São Jorge da Lagoa, assistiu à apresentação da filha Lara de Oliveira Gonzaga, de 9 anos, participante da Fraternidade Sem Fronteiras. A menina sonha em tocar violino desde os dois anos e, durante o encontro, aperfeiçoou a leitura de partitura e a coordenação com o instrumento.

“Foi uma experiência enorme para ela. A Lara já lia um pouco de partitura, mas melhorou bastante a leitura e a coordenação com o arco. Ela está muito feliz e amou participar. Antes mesmo de o concerto começar, eu já estava arrepiada porque assisti a um pouco do ensaio e chorei. Ver minha filha nesse palco, tocando de uma forma tão organizada e próxima do profissional, é uma emoção muito grande. Vou continuar incentivando porque esse é o sonho dela desde pequena”, disse Renata.

O diretor regional do Sesc MS, Vitor Mello, afirmou que a iniciativa amplia uma ação já desenvolvida pela instituição na formação musical e permite compartilhar conhecimento com outros projetos sociais da cidade. Para ele, o encontro não se restringe ao aprendizado de um instrumento, pois contribui para o desenvolvimento de competências ligadas à educação, à convivência, à cidadania e à construção de novas perspectivas para os jovens.

“O Sesc já desenvolve uma ação importante de formação para a música, mas também para competências que acompanham esses jovens em todas as áreas da vida. Neste primeiro encontro, quisemos compartilhar essa experiência com outras orquestras e trazer profissionais de renome para oferecer conteúdos que talvez muitos alunos ainda não tivessem a oportunidade de conhecer. Ficamos felizes por cumprir nossa missão com os estudantes do Sesc e, especialmente, por dividir esse momento com mais de dez instituições parceiras, fortalecendo uma rede de conhecimento e de ações positivas”, destacou.

Ao participar do encerramento, o presidente do Sistema Fecomércio MS, Juliano Wertheimer, ressaltou que a primeira edição marcou um novo capítulo para a formação musical no Estado. Mais da metade dos estudantes presentes veio de instituições parceiras, ampliando o alcance da iniciativa e reforçando a proposta de integração entre projetos que utilizam a arte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento.

“Cada aula, cada ensaio e cada conversa com os professores representou uma oportunidade única de aprendizado. A música cumpriu seu papel de aproximar pessoas, criar amizades e mostrar que o conhecimento cresce ainda mais quando é compartilhado. Esse é o propósito do Sistema Comércio, por meio do Sesc: criar oportunidades que transformem vidas através da cultura. Investir na formação de jovens músicos é investir em cidadãos mais criativos, sensíveis, disciplinados e preparados para contribuir com a sociedade”, concluiu.

O Sistema Comércio MS é composto por Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, IPF e sindicatos empresariais. A entidade é presidida por Juliano Wertheimer e administrada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.

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