O governo federal atualizou o funcionamento do Ligue 180, central de atendimento à mulher, que agora passa a incluir no sistema de registro novas modalidades de violência praticadas no ambiente digital, como estupro virtual, sextorsão e casos de violência psicológica envolvendo o uso de inteligência artificial, como deepfakes.
A mudança ocorre após o Ministério das Mulheres identificar um aumento de 188,6% nas denúncias de violência contra mulheres na internet nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. No total, os registros passaram de 5.795 para 16.725 ocorrências relacionadas ao tema.
De acordo com o governo, o serviço também foi atualizado para qualificar o atendimento. As atendentes passaram por capacitação para identificar melhor crimes digitais, orientar vítimas sobre a preservação de provas — como prints com data e hora — e indicar procedimentos para solicitação de remoção de conteúdos em plataformas digitais.
Além do estupro virtual, o sistema passa a contemplar registros de invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, doxxing (vazamento de dados pessoais) e descumprimento de medidas protetivas por meio de canais online.
A iniciativa integra a campanha “O Digital é Nosso Lugar”, do Ministério das Mulheres, e está alinhada a medidas do governo federal voltadas à regulação das plataformas digitais e ao combate à violência de gênero no ambiente virtual.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o aumento das ocorrências pode estar relacionado tanto à ampliação das denúncias quanto à redução da subnotificação, destacando a importância de aprimorar a coleta de dados e as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.
O Ligue 180 recebe, em média, cerca de 3 mil ligações por dia, das quais aproximadamente 30% são convertidas em denúncias encaminhadas às autoridades competentes.
O governo também busca ampliar a adesão dos estados a acordos de cooperação para compartilhamento de informações, com o objetivo de agilizar investigações e melhorar o acompanhamento dos casos. Paralelamente, o Ministério das Mulheres prepara uma pesquisa específica sobre violência digital para orientar novas ações e políticas públicas.




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