Caso investigado no RS revelou esquema de falsidade, estelionato e simulação de identidade infantil por mais de um ano
A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, relembrou o momento em que confrontou uma mulher suspeita de se passar por uma criança de 12 anos em 2021, no município de Cachoeirinha. Segundo ela, o caso começou como uma investigação de possível abuso sexual infantil, mas evoluiu para suspeita de estelionato e falsidade ideológica.
Em entrevista, a delegada contou que recebeu uma denúncia do Ministério Público envolvendo diferentes hipóteses, como maus-tratos, possível bruxaria e até tortura. Paralelamente, havia o registro de desaparecimento de uma suposta menor.
Durante as diligências, a equipe policial localizou vídeos que levantaram suspeitas sobre a real idade da vítima. “Quando vimos o vídeo, pensamos: isso não é uma criança, é uma mulher”, relatou Luana.
A investigação revelou que a suspeita utilizava nomes falsos, passava por abrigos e famílias no Rio Grande do Sul e mantinha o disfarce de adolescente. A prisão preventiva foi solicitada, mas a mulher seguia foragida até ser localizada após dar entrada em um hospital com ferimentos.
Ao ser interrogada, a suspeita inicialmente manteve o comportamento infantil, mas acabou sendo confrontada pela delegada.
“Eu disse: ‘Agora chega, eu sei que tu é mulher’. Ela me olhou e respondeu: ‘Então vamos falar de mulher para mulher’”, relatou a policial.
Segundo a delegada, a partir desse momento a investigada confessou o esquema, alegando que buscava uma família e acolhimento. A polícia, no entanto, aponta que ela também teria cometido agressões, ameaças, uso de documentos falsos e estelionato.
A mulher, que teria vivido por cerca de 14 meses sob identidade falsa como filha adotiva de uma família, foi posteriormente presa em Santa Catarina. As investigações indicam que o mesmo tipo de golpe pode ter sido aplicado em outros estados brasileiros.
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