A agenda da visita inclui uma série de atividades voltadas à cooperação social e ao intercâmbio de políticas públicas. Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (28), no Palácio do Planalto, em Brasília, a presidenta do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em uma visita marcada pela assinatura de acordos bilaterais e pelo fortalecimento das relações diplomáticas entre os dois países, que completam 50 anos de parceria.
Durante encontro com delegações brasileiras e surinamesas, os governos avançaram em acordos voltados para áreas estratégicas como infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, políticas sociais, desenvolvimento sustentável e integração regional.
Ao destacar o momento vivido pelo país vizinho, Lula afirmou que o Brasil acompanha “com entusiasmo” o novo ciclo de crescimento do Suriname, que recentemente elegeu pela primeira vez uma mulher para liderar a nação.
“Somos democracias sul-americanas que acreditam na cooperação, no multilateralismo e na integração regional como caminhos para a paz e o desenvolvimento”, declarou o presidente brasileiro.
Cooperação social e intercâmbio de políticas públicas
A agenda da presidenta Jennifer Geerlings-Simons no Brasil inclui visitas técnicas e encontros voltados à troca de experiências em programas sociais. Segundo a líder surinamesa, o governo busca ampliar a segurança alimentar, reduzir custos dos alimentos e fortalecer políticas públicas inspiradas em modelos brasileiros.
“Concordamos que a principal tarefa de todo político é garantir melhores condições de vida e bem-estar à população”, afirmou.
Nos próximos dias, Jennifer visitará unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), projetos do programa Minha Casa, Minha Vida e instalações da Embrapa Cerrados, conhecendo de perto iniciativas brasileiras voltadas à agricultura familiar e inclusão social.
Comércio, energia e integração regional
Um dos focos centrais da visita é ampliar a cooperação econômica. Lula destacou que o volume comercial entre os países ainda é pequeno — cerca de US$ 55 milhões em 2025 — e anunciou o início de negociações para ampliar acordos comerciais e facilitar o fluxo de produtos e investimentos.
A expectativa também envolve o setor energético. O Suriname vive um momento de projeção econômica após descobertas de grandes reservas de petróleo e gás natural, estimadas entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris.
Segundo Lula, a parceria entre Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie deve impulsionar a troca de experiências em petróleo, energias renováveis e segurança energética.
Segurança, defesa e Amazônia
Na área de segurança pública, os países ampliaram compromissos para combater crimes transnacionais, incluindo tráfico de drogas, pessoas, armas e mineração ilegal.
Os acordos também contemplam cooperação policial, segurança cibernética, proteção de fronteiras amazônicas e operações conjuntas.
Lula ressaltou ainda a importância da proteção ambiental e destacou que Brasil e Suriname compartilham uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical do planeta.
“Precisamos fortalecer a cooperação amazônica e valorizar nosso patrimônio ambiental”, afirmou.
Conectividade e aproximação com o Caribe
Outro tema discutido foi o fortalecimento da infraestrutura regional, especialmente projetos que ampliem conexões marítimas, aéreas e rodoviárias entre Brasil, Suriname, Guiana e Caribe.
Entre as iniciativas está o chamado “Anel das Guianas”, projeto estratégico que busca conectar o Norte do Brasil aos mercados caribenhos por meio de novas rotas logísticas.
Missão empresarial e ajuda humanitária
A visita também conta com participação de empresários dos setores de energia, agropecuária, logística, transportes e comunicações.
Além disso, o governo brasileiro disponibilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar a delegação surinamesa e aproveitou a operação para enviar vacinas, medicamentos e insumos médicos ao país vizinho.
Para o governo brasileiro, o encontro representa mais um passo na estratégia de fortalecer a integração regional e ampliar a presença do Brasil nas relações com países caribenhos e amazônicos.
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