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 Irritação na garganta pode indicar refluxo silencioso

por | maio 14, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

Especialista explica que estruturas não suportam acidez e reagem com inflamação ao contato com conteúdo gástrico

Você já sentiu uma irritação persistente na garganta, acompanhada por tosse seca ou aquela sensação incômoda de algo parado que não sobe nem desce? Esse quadro, muitas vezes negligenciado, pode estar ligado ao refluxo laringofaríngeo, uma condição que vai além da conhecida azia e afeta diretamente estruturas da via aérea superior.

De acordo com a Dra. Danielle Aguiar, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, o problema ocorre quando conteúdos do estômago retornam e atingem regiões sensíveis. “Ele acontece quando o ácido ou outras substâncias sobem além do esôfago e chegam até a garganta e a laringe. Essas áreas não estão preparadas para receber esse material, mesmo em pequena quantidade, então surge irritação e até inflamação da mucosa”, explica. Entre os sinais mais frequentes, ela destaca tosse seca, pigarro constante, dor na garganta, sensação de secreção presa e até rouquidão. “Muita gente relata que parece ter algo que não consegue eliminar. O organismo tenta se proteger dessa agressão e isso gera esse desconforto contínuo”, completa.

A médica reforça que a tosse persistente sem causa aparente pode, sim, ter relação com esse problema. “Quando descartamos problemas nasais, alergias ou sinusites, precisamos investigar essa possibilidade. Diferente do refluxo clássico, que traz azia e queimação, aqui o principal sintoma costuma ser a irritação contínua acompanhada de incômodo na região da garganta”, afirma.

Os fatores que favorecem o surgimento são variados e, em grande parte, ligados ao estilo de vida. “Obesidade, alimentação inadequada, refeições pesadas antes de dormir e consumo frequente de bebidas alcoólicas ou gaseificadas contribuem bastante”, orienta. Ela também chama atenção para hábitos modernos. “Hoje as pessoas comem rápido, sem atenção, consomem muitos produtos industrializados, o que dificulta a digestão. Além disso, exageros em café, chocolate, alimentos condimentados e longos períodos em jejum também impactam negativamente”, acrescenta.

A identificação exige uma avaliação cuidadosa. “O mais importante é a história clínica. Precisamos entender a rotina, os hábitos e o comportamento alimentar do paciente”, pontua. No consultório, um dos exames utilizados é a nasofibrolaringoscopia. “Observamos nariz, faringe e laringe. Não é um diagnóstico definitivo, mas mostra sinais que levantam suspeitas, como alterações de coloração ou inchaço”, explica. Em alguns casos, pode ser necessário encaminhamento para o gastroenterologista. “A endoscopia e outros testes complementares ajudam a investigar melhor quando há suspeita de envolvimento gástrico”, diz.

Para evitar o problema, mudanças no dia a dia são fundamentais. “Ajustar a alimentação é essencial. Reduzir ultraprocessados, frituras e refrigerantes, além de evitar combinações que dificultam a digestão”, recomenda. A otorrinolaringologista também destaca a importância do acompanhamento profissional. “Um nutricionista pode orientar melhor, porque às vezes o alimento é saudável, mas a forma de consumo não é adequada”, afirma. Outros pontos incluem controle do peso, prática regular de atividade física e atenção ao estresse. “Não adianta apenas emagrecer com auxílio de medicamentos e manter hábitos ruins. É preciso reprogramar o comportamento alimentar”, alerta.

Sobre a possibilidade de resolução definitiva, a especialista explica que depende da causa. “Se estiver relacionado apenas aos hábitos, é possível controlar e até eliminar com as mudanças corretas. Porém, em situações estruturais, como hérnias, pode ser necessário tratamento cirúrgico”, esclarece. Ela reforça a importância do trabalho conjunto entre especialidades. “O otorrinolaringologista pode iniciar o manejo e aliviar os sintomas, mas muitas vezes precisamos do gastroenterologista para investigar mais profundamente”, conclui.

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