Com mais da metade da população brasileira acima do peso, a obesidade segue avançando no país e aumentando a preocupação de especialistas da área da saúde. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE, apontam que 25,9% dos brasileiros convivem com a doença, o equivalente a mais de 41 milhões de adultos.
Diante desse cenário, o uso das chamadas canetas emagrecedoras tem ganhado espaço no debate público, acompanhado de dúvidas e informações equivocadas. Para esclarecer os principais mitos e verdades sobre obesidade e os medicamentos utilizados no tratamento, o endocrinologista Leonardo Eksterman, coordenador da pós-graduação em Obesidade e Metabolismo da Inspirali Pós Medicina, comentou alguns dos pontos mais discutidos sobre o tema.
Segundo o especialista, a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai muito além da simples contagem de calorias. Questões hormonais, genéticas, emocionais, ambientais e comportamentais influenciam diretamente no ganho de peso e no tratamento.
Entre os mitos mais comuns está a ideia de que a genética é o único fator determinante para o sucesso ou fracasso no emagrecimento. De acordo com Eksterman, embora a genética tenha influência, mudanças de comportamento, alimentação adequada e, em alguns casos, medicamentos podem melhorar significativamente a resposta do paciente ao tratamento.
O médico também destaca que a obesidade aumenta o risco de doenças graves independentemente da idade. Estudos já demonstram crescimento de casos de diabetes e complicações metabólicas em pessoas mais jovens, incluindo adolescentes.
Outro ponto abordado foi o uso das canetas emagrecedoras, como medicamentos à base de análogos de GLP-1, entre eles a semaglutida e a liraglutida. Além da perda de peso, os remédios também apresentaram benefícios cardiovasculares importantes, com redução de casos de infarto, AVC e mortes relacionadas a doenças do coração.
Apesar disso, o especialista reforça que o tratamento não deve ser encarado como solução isolada. Segundo ele, mudanças comportamentais seguem sendo fundamentais para resultados duradouros e sustentáveis.
Eksterman também desmistifica a ideia de que quem inicia o uso de medicamentos injetáveis para obesidade nunca poderá interromper o tratamento. Embora exista risco de reganho de peso após a suspensão, muitos pacientes conseguem manter os resultados a longo prazo com reeducação alimentar, atividade física e acompanhamento adequado.
O avanço da obesidade no Brasil reforça a necessidade de informação de qualidade e acompanhamento médico especializado, principalmente diante da popularização dos medicamentos utilizados para emagrecimento.
0 comentários