O diretor britânico Dan Reed, responsável pelo documentário Leaving Neverland, fez duras críticas à cinebiografia Michael, afirmando que o longa apresenta uma versão “higienizada” da história do cantor Michael Jackson.
Em entrevista à revista Variety, Reed afirmou que o filme evita abordar as acusações de abuso sexual infantil feitas contra o artista e distorce a narrativa ao retratá-lo apenas como uma figura excêntrica e infantilizada. Segundo ele, a produção ignora os relatos apresentados em seu documentário, que reúne depoimentos de Wade Robson e James Safechuck.
No documentário lançado em 2019, ambos afirmam ter sido abusados por Jackson quando eram crianças, entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Para Reed, a cinebiografia evita o tema ao encerrar a narrativa em 1988, antes de as primeiras denúncias públicas virem à tona, como no caso envolvendo Jordan Chandler.
O diretor também afirmou que versões iniciais do roteiro teriam tentado responder diretamente ao conteúdo de “Leaving Neverland”, mas que a abordagem foi abandonada. Na avaliação dele, o filme opta por focar na trajetória artística e no repertório musical do cantor, sem enfrentar as controvérsias.
Apesar das críticas, a cinebiografia tem alcançado grande sucesso de público. O longa arrecadou cerca de 217 milhões de dólares mundialmente logo após a estreia, além de impulsionar o consumo das músicas de Michael Jackson nas plataformas digitais.
Reed também comentou sobre as dificuldades de distribuição de “Leaving Neverland” na América do Norte. Segundo ele, o documentário deixou de ser exibido após disputas jurídicas envolvendo a HBO e o espólio do cantor, relacionadas a cláusulas contratuais.
Para o cineasta, a recepção positiva da cinebiografia evidencia a dificuldade da indústria cultural em lidar com as acusações envolvendo grandes ícones da música, especialmente quando há forte apelo popular e legado artístico consolidado.
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