A morte do bebê Kalebe Josue da Silva, de 1 ano e 8 meses, registrada na madrugada desta quinta-feira (30), em Campo Grande, expõe um caso grave de violência infantil que agora é investigado pelas autoridades. A criança estava internada desde terça-feira (28) na Santa Casa de Campo Grande, após dar entrada em estado crítico, com múltiplas lesões e indícios de abuso sexual.
Segundo o hospital e o Conselho Tutelar, o menino entrou em protocolo de morte encefálica na quarta-feira (29) e não resistiu aos ferimentos. O óbito foi confirmado durante a madrugada, e o corpo encaminhado ao necrotério nas primeiras horas do dia.
A mãe, de 31 anos, e o padrasto, de 21, foram presos em flagrante e tiveram a detenção convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia. Eles seguem à disposição da Justiça enquanto o caso é apurado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Inicialmente investigados por maus-tratos, lesão corporal, omissão de socorro e estupro de vulnerável, os suspeitos podem responder por crimes mais graves após a confirmação da morte.
Socorro e descoberta das lesões
O caso começou a ser revelado quando o padrasto avisou a mãe que o bebê não estava respirando. A situação chamou atenção de uma motorista de aplicativo, que acionou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul após perceber o desespero da passageira.
No local, os policiais encontraram a criança desacordada nos braços do padrasto e iniciaram manobras de reanimação. O atendimento foi assumido por uma equipe do Samu, que conseguiu restabelecer os sinais vitais e encaminhou o bebê ao hospital.
Durante o trajeto e já na unidade de saúde, profissionais identificaram hematomas em várias partes do corpo, em diferentes estágios de cicatrização, além de lesões na região íntima, compatíveis com possível violência sexual. Os indícios foram confirmados posteriormente por exames médicos.
Contradições e suspeitas
No hospital, a mãe apresentou versões consideradas inconsistentes. Em um primeiro momento, afirmou que o filho teria caído e batido a cabeça, mas não soube explicar os demais ferimentos. Também deu informações divergentes sobre atendimentos médicos anteriores, o que aumentou a desconfiança das equipes.
Ela negou qualquer envolvimento do companheiro nas agressões, mas as contradições reforçaram a necessidade de investigação aprofundada.
Rotina da criança e sinais de negligência
De acordo com o relato da mãe, o bebê ficava sob os cuidados do padrasto enquanto ela trabalhava. Questionada sobre quem poderia ter causado as lesões, disse não saber.
O Conselho Tutelar constatou ainda falhas no acompanhamento da criança. Não havia histórico regular de consultas médicas, e a carteira de vacinação estava atrasada até o início deste ano. A situação acendeu alerta para possível negligência.
Outro elemento relevante é o depoimento de um vizinho, que afirmou ter conhecimento de agressões, mas não procurou as autoridades.
Investigação em andamento
O caso é conduzido pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, que aguarda laudos periciais para esclarecer a causa da morte e a dinâmica das agressões.
Para o Conselho Tutelar, a ausência de denúncias anteriores pode ter contribuído para o agravamento da situação. O órgão reforça que qualquer suspeita de violência contra crianças deve ser comunicada, mesmo sem provas, já que a denúncia pode ser determinante para salvar vidas.
As investigações seguem, e o casal permanece preso enquanto a Polícia Civil reúne elementos para concluir o inquérito.
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