Com ciclo de palestras, exposição de artesanatos e apresentações rituais, hospital reafirma seu compromisso com a visibilidade dos povos originários e a humanização do cuidado em saúde
O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), administrado pela HU Brasil, encerrou, na manhã desta sexta-feira (24), uma das semanas mais emblemáticas de seu calendário institucional. A Semana dos Povos Indígenas transformou a Área de Convivência e o auditório da Superintendência em territórios de troca de saberes, unindo a produção acadêmica à vivacidade das tradições das etnias que compõem o mosaico identitário de Mato Grosso do Sul.
A abertura do evento de encerramento foi marcada pelo discurso da superintendente do Humap-UFMS, Dra. Andrea Lindenberg. Em sua fala, a gestora destacou que o hospital tem o dever de ser um espaço de acolhimento que respeite as particularidades dos povos originários, integrando o respeito cultural às práticas de gestão e ao atendimento hospitalar. “Celebrar o Dia dos Povos Indígenas no Humap é reconhecer que a nossa história e o nosso território são fundamentados no saber ancestral. Nossa missão é garantir que esse reconhecimento se traduza em uma assistência à saúde cada vez mais humanizada e sensível às nossas raízes”.
Saúde e ancestralidade
A robustez da programação foi garantida por um ciclo de palestras que discutiu a interface entre a ciência e a tradição dentro do ambiente hospitalar. A nutricionista Sheila Gomes, especialista em Vigilância Alimentar e Nutricional Indígena, trouxe um relato de experiências contundente sobre os “Hábitos Alimentares dos Povos Originários do MS”, discutindo os desafios nutricionais e a preservação da dieta tradicional.
Complementando a visão assistencial, a enfermeira e pesquisadora Zuleica Tiago (mestre em Saúde da Família e graduanda em Medicina) abordou as “Práticas da Medicina Tradicional na Saúde Indígena”. Sua participação reforçou a necessidade de os profissionais de saúde do Humap compreenderem os ritos de cura e a fitoterapia tradicional para promover uma medicina mais integrativa e eficaz.
Protagonismo e resistência
O evento deu voz direta às lideranças das comunidades locais. O Cacique Josias trouxe uma reflexão sobre a importância da presença indígena em instituições de saúde, enquanto a representante da Aldeia Darcy Ribeiro, Rose Mariano emocionou os presentes em um momento de resgate linguístico. Acompanhada de sua mãe, Dona Evaniza Terena, que atuou como tradutora para a língua materna Terena, Rose reafirmou que a preservação da fala é um dos pilares de resistência de seu povo.
O ápice cultural da manhã ocorreu com a apresentação do grupo de dança “Seno Siputrena”, da Aldeia Marçal de Souza. As coreografias rituais, executadas por jovens indígenas na Área de Convivência, preencheram o Humap com ritmos que remetem à conexão com a terra e a ancestralidade.
Simultaneamente, o público pôde apreciar a exposição de artesanatos da artista “Jhu Terena” e Sebastiana Batista. A mostra exibiu o refinamento da técnica terena em biojoias e objetos decorativos, fomentando a economia criativa e permitindo que a comunidade hospitalar conhecesse de perto a arte produzida nas aldeias da região. A manhã foi encerrada com a entrega de mimos em forma de agradecimento aos convidados, selando o sucesso de uma semana dedicada à valorização das raízes sul-mato-grossenses.
Os registros podem ser acessados pelo link:Link
Sobre a Rede HU Brasil
O Humap-UFMS faz parte da Rede HU Brasil desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Rede foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
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