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Do “Tigrinho” ao luxo: PF detalha caminho do dinheiro em esquema ligado a MC Ryan

por | abr 20, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

A investigação da Polícia Federal revelou como bilhões de reais oriundos de apostas ilegais foram transformados em bens de luxo, influência e financiamento de atividades criminosas. Segundo os investigadores, o esquema teria como figura central o funkeiro MC Ryan SP.

De acordo com a apuração, plataformas clandestinas — como o popular “Jogo do Tigrinho” — funcionavam como porta de entrada para os recursos. Usuários realizavam depósitos, principalmente via Pix, em contas vinculadas a empresas intermediárias.

Para evitar rastreamento, os valores eram fragmentados em pequenas quantias, prática conhecida como “smurfing”, que dificulta a identificação de movimentações suspeitas pelo sistema financeiro.

Como funcionava o esquema

A PF aponta que a operação seguia as etapas clássicas da lavagem de dinheiro:

1. Ocultação da origem
Após entrar no sistema, o dinheiro era pulverizado por meio de contas de passagem, empresas de fachada e “laranjas”, criando uma rede complexa para dificultar o rastreio.

2. Mistura e disfarce
Negócios aparentemente legais — como empresas de sucata e estabelecimentos comerciais — eram usados para “esfriar” os valores. Familiares também eram incluídos como sócios para dar aparência de legalidade.

3. Reintegração como dinheiro limpo
Na fase final, os recursos voltavam ao circuito formal, especialmente por meio do setor de entretenimento, como shows. A partir daí, eram convertidos em bens de alto padrão.

Luxo e crime

Entre os gastos identificados estão carros de luxo, imóveis, obras caras e itens de grife, como produtos da Gucci. Um dos exemplos citados pela investigação é a construção de um lago artificial avaliado em quase R$ 1 milhão.

A Polícia Federal também aponta que parte do dinheiro não ficava apenas no consumo de luxo, sendo direcionada para outras atividades ilícitas, incluindo operações ligadas ao tráfico internacional de drogas.

Um dos episódios mencionados envolve a compra de um veleiro que acabou interceptado com toneladas de cocaína.

Estrutura sofisticada

Os investigadores destacam que o esquema operava em escala industrial, com uso de tecnologia, empresas fictícias e uma rede organizada de operadores. Há ainda indícios de falhas — ou até “cegueira deliberada” — de instituições financeiras que permitiram movimentações incompatíveis com a renda declarada.

O caso segue em investigação e também envolve outros nomes conhecidos do meio artístico e digital.

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