Foto: Arquivo g1 e Redes Sociais
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, teve a prisão preventiva decretada na manhã desta quarta-feira, 25 de março de 2026, durante audiência de custódia que analisou o caso da morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu na terça-feira, 24, em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, em meio a uma disputa judicial pela propriedade.
A audiência durou cerca de uma hora e, segundo informações apuradas, Bernal apresentou comportamento considerado inadequado, alternando momentos de nervosismo e deboche. Mesmo acompanhado por advogados, ele tentou fazer sua própria defesa ao abordar o mérito do caso, sendo interrompido pelo magistrado, que reforçou os fundamentos legais da decisão. Há relatos de que o juiz chegou a repreender a postura da defesa e detalhou os argumentos jurídicos que embasaram a prisão.
Com a decisão, Bernal deve retornar ao Presídio Militar, onde já estava custodiado em cela especial por ser advogado. Ele havia sido preso em flagrante após se apresentar espontaneamente à Polícia Civil e confessar os disparos.
De acordo com as investigações, Mazzini foi atingido por dois tiros, um nas costas e outro no abdômen. O servidor havia adquirido o imóvel em leilão e foi até o local acompanhado de um chaveiro para tomar posse. A residência, no entanto, ainda era ocupada por Bernal, que contestava judicialmente o processo de arremate.
Em depoimento, o ex-prefeito afirmou que não teve intenção de matar. Disse que agiu por impulso ao se sentir ameaçado ao encontrar três pessoas dentro da casa. Segundo ele, o portão estava arrombado e um dos homens teria avançado em sua direção. Bernal declarou que os disparos foram feitos em questão de segundos e que pretendia atingir a perna.
Ele também alegou que não foi notificado sobre o leilão do imóvel e que mantém uma ação judicial contra a instituição financeira responsável. Sobre a arma utilizada, afirmou possuir porte e registro, além de ter adquirido o revólver em 2013 após sofrer ameaças quando exercia o cargo de prefeito.
A versão apresentada pela defesa sustenta que Bernal agiu em legítima defesa, acreditando estar diante de uma invasão domiciliar. Os advogados afirmam que não havia mandado judicial nem presença de oficial de Justiça no momento da entrada no imóvel, o que, segundo eles, reforça a tese de reação a uma ameaça iminente. A defesa também pediu que o ex-prefeito responda ao processo em liberdade, citando que ele é réu primário, possui residência fixa e exerce a profissão de advogado.
Por outro lado, o depoimento de uma testemunha contradiz a versão apresentada. O chaveiro que acompanhava a vítima relatou que Bernal chegou ao local já armado, fez ameaças e disparou sem dar chance de explicação. Segundo ele, Mazzini não teve tempo de reagir. Após os tiros, o ex-prefeito teria ordenado que o trabalhador se deitasse no chão e continuado a ameaçar a vítima.
Ainda conforme o relato, o chaveiro conseguiu fugir do local temendo pela própria vida e acionou a polícia. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar chegaram cerca de 20 minutos depois.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que também analisa imagens de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica do crime. A decisão pela prisão preventiva indica que a Justiça entendeu haver elementos suficientes para manter Bernal detido durante o andamento do processo.









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