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Aulas são suspensas em aldeia de Dourados após aumento de casos de chikungunya e quatro mortes

por | mar 19, 2026 | Últimas notícias

Foto: TV Morena

As aulas foram suspensas nas três escolas da Aldeia Jaguapiru, em Dourados, após o avanço dos casos de chikungunya na comunidade indígena. A medida foi adotada nesta última quarta-feira, 18 de março, diante da situação considerada epidêmica.

Segundo a Vigilância em Saúde, já foram confirmadas quatro mortes pela doença na Reserva Indígena, que concentra o maior número de casos no município. O aumento expressivo nas últimas semanas levou lideranças locais a interromperem as atividades escolares como forma de conter a disseminação do vírus.

A maior unidade da aldeia, a escola Tengatui Marangatu, permaneceu fechada e teve seu espaço adaptado para atendimento de moradores com sintomas. De acordo com o cacique Vilmar Machado, cerca de 30% dos alunos e nove professores estão infectados, o que inviabilizou o funcionamento das aulas.

Enquanto a Secretaria Estadual de Educação confirmou a paralisação na escola estadual da região, a prefeitura informou que ainda avalia a situação e possíveis medidas legais sobre o fechamento das unidades.

Especialistas apontam que a falta de prevenção contribuiu para o agravamento do cenário. O chefe de gabinete da presidência da Fundação Oswaldo Cruz, Rivaldo Venâncio, destacou que a proliferação do mosquito transmissor está ligada a condições estruturais, como o armazenamento inadequado de água.

Isso ocorre porque o inseto responsável pela transmissão, o Aedes aegypti, se reproduz em locais com água parada. A irregularidade no abastecimento dentro da aldeia obriga moradores a armazenarem água, criando ambientes propícios para a reprodução do mosquito.

Para tentar conter o avanço da doença, equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizam um mutirão nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com apoio de profissionais de municípios vizinhos e do Governo do Estado. A Força Nacional do Sistema Único de Saúde também foi acionada para reforçar o atendimento.

Ao todo, a Reserva Indígena já soma 407 casos notificados, sendo 202 confirmados, além de quatro mortes. Entre as vítimas estão idosos e um bebê de três meses.

Na área urbana de Dourados, também houve aumento de registros, com 912 notificações em 2026, embora sem mortes até o momento. Mesmo com população muito maior fora da reserva, a proporção de casos nas aldeias é significativamente mais alta.

A chikungunya provoca febre alta, dores intensas nas articulações e cansaço, podendo evoluir para quadros mais graves, com complicações neurológicas. Autoridades reforçam que medidas simples, como eliminar água parada e manter ambientes limpos, são essenciais para prevenir a doença e conter novos casos.

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