O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar decisões tomadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro ao anunciar um pacote de medidas para tentar reduzir o preço do diesel no Brasil.
Segundo integrantes do governo, a atual dificuldade em controlar os preços dos combustíveis estaria ligada à privatização de ativos estratégicos da Petrobras, incluindo a venda da BR Distribuidora, realizada no início da gestão Bolsonaro.
As críticas foram reforçadas pelos ministros Fernando Haddad, da Fazenda, Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, durante o anúncio do pacote econômico em Brasília.
Alexandre Silveira afirmou que a venda de ativos ligados ao refino e à distribuição de combustíveis reduziu a capacidade do país de produzir derivados internamente. “Foi um crime lesa-pátria ao Brasil e aos brasileiros se desfazer da nossa BR Distribuidora”, declarou o ministro.
Já Fernando Haddad destacou que a saída da Petrobras da etapa final da cadeia de combustíveis diminuiu a capacidade de intervenção do governo para influenciar preços ao consumidor. Segundo ele, o governo pretende adotar medidas para punir práticas como o armazenamento injustificado de combustível e aumentos abusivos de preços.
Rui Costa também criticou a privatização e afirmou que a presença da Petrobras no setor de distribuição ajudava a estabelecer uma referência de preços no mercado, o que, segundo ele, contribuía para manter valores mais baixos nas bombas.
Durante o anúncio, Lula preferiu focar no impacto global da alta dos combustíveis, associando o aumento aos conflitos internacionais, especialmente à guerra envolvendo o Irã. O presidente afirmou que o pacote exigiu “um sacrifício enorme” do governo para evitar que a escalada dos preços internacionais atingisse ainda mais os consumidores brasileiros.
Entre as medidas anunciadas, válidas até 31 de dezembro, o governo estima uma redução de cerca de R$ 0,64 no litro do diesel nas bombas.
Lula também fez um apelo indireto aos governadores para que reduzam o ICMS sobre combustíveis. A cobrança foi interpretada por aliados como direcionada a governadores que são apontados como possíveis candidatos à Presidência, como Romeu Zema, Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, além de opositores frequentes do governo, como Tarcísio de Freitas.
O pacote também determina que postos de combustíveis exibam aos consumidores informações sobre a redução de impostos no diesel. Medida semelhante havia sido adotada por Bolsonaro em 2022, quando houve corte do ICMS estadual sobre combustíveis.
A iniciativa ocorre em meio à preocupação do governo com o impacto do preço do diesel na inflação, especialmente sobre alimentos e transporte, em um cenário político marcado pela proximidade do período eleitoral.








0 comentários