Prestes a completar 90 anos, o apresentador Carlos Alberto de Nóbrega afirmou que o humor praticamente desapareceu da televisão aberta por falta de segurança das emissoras em investir no gênero. A declaração foi dada nos estúdios do SBT, em Osasco (SP), antes da gravação de uma edição especial de A Praça É Nossa em sua homenagem.
Segundo o apresentador, produzir humor exige investimento alto, o que tem afastado as empresas do formato. Para ele, é mais simples adquirir filmes ou apostar em programas de entrevista, que demandam estrutura menor. Carlos Alberto também avaliou que, após a pandemia, os custos ficaram ainda mais sensíveis e parte do mercado publicitário migrou para a internet.
Embora reconheça a força do ambiente digital — ele próprio mantém podcast e transmissões ao vivo —, o humorista defende que televisão e internet são universos distintos. Ainda assim, nomes revelados na “Praça”, como Matheus Ceará e Maurício Manfrini, o Paulinho Gogó, ampliaram público também nas redes sociais e nos palcos.
Mudanças recentes na programação da emissora também atingem o tradicional humorístico, que passará a ir ao ar mais cedo, às 22h30, após o Programa do Ratinho. Para o apresentador, a alteração pode beneficiar a audiência, especialmente quem acorda cedo e não acompanha atrações muito tarde da noite.
Criada originalmente por seu pai, Manuel de Nóbrega, como “Praça da Alegria”, a atração se tornou um dos programas mais longevos da TV brasileira. Hoje, sob comando de Carlos Alberto há quase quatro décadas, segue como um dos pilares do SBT.
Sobre o futuro, o apresentador afirma que o filho Marcelo, diretor da atração há mais de 20 anos, é quem poderia dar continuidade ao projeto. Mesmo aos 90 anos, ele diz que pretende continuar trabalhando. “Não quero parar. Quero seguir fazendo o que amo”, resumiu.





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