A farmacêutica Eli Lilly and Company, fabricante do medicamento Mounjaro, criticou a decisão da Prefeitura de Urupês, no interior de São Paulo, de oferecer gratuitamente tirzepatida na rede municipal de saúde.
Segundo a empresa, o produto distribuído pelo município não é o Mounjaro original, mas uma versão manipulada da substância. Em nota, a farmacêutica afirmou estar “profundamente preocupada” com a iniciativa e declarou que o programa pode colocar pacientes em risco.
A Lilly sustenta que o Mounjaro é o único medicamento à base de tirzepatida aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil. De acordo com a empresa, medicamentos manipulados não podem substituir produtos industrializados aprovados pelo órgão regulador e não passam pelos mesmos controles de qualidade, segurança, esterilidade e armazenamento.
A companhia afirmou ainda ter identificado, no Brasil e em outros países, versões manipuladas da tirzepatida com impurezas, presença de bactérias, altos níveis de endotoxinas ou estrutura química diferente da fórmula aprovada.
A Prefeitura de Urupês informou que adquiriu o medicamento de uma farmacêutica regularizada, com autorização da Anvisa. O município prevê atender cerca de 200 pacientes de forma escalonada, com acompanhamento de equipe multidisciplinar.
O Ministério da Saúde confirmou que os municípios têm autonomia para ofertar medicamentos com recursos próprios, conforme as necessidades locais.
Quem pode receber o medicamento
O público-alvo inicial inclui pacientes que aguardam cirurgia bariátrica ou que estejam em situação de vulnerabilidade social. Entre os critérios definidos pelo município estão:
- Ter 40 anos ou mais, salvo casos com IMC superior a 40 kg/m²
- IMC igual ou superior a 35 kg/m² com ao menos uma comorbidade
- Ou IMC igual ou superior a 30 kg/m² com, no mínimo, duas comorbidades
- Comprovação de tentativa de tratamento não farmacológico por pelo menos seis meses
Segundo a prefeitura, o uso da tirzepatida deve estar associado a mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo, sendo vedado o uso para fins estéticos.
A tirzepatida é um medicamento injetável inicialmente indicado para diabetes tipo 2 e que passou a ser utilizado também no tratamento da obesidade, atuando em hormônios relacionados ao apetite e ao metabolismo. Embora aprovado pela Anvisa, o medicamento ainda não foi incorporado de forma ampla ao Sistema Único de Saúde em nível nacional.




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