SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O laudo elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha concluiu que não foram encontradas fraturas ou lesões ósseas que indiquem ação humana direta, inclusive no crânio. O documento, com 19 páginas e obtido pelo UOL, integra uma série de diligências solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Apesar de não terem sido constatadas fraturas, os peritos ressaltaram que isso não descarta a possibilidade de trauma contundente na cabeça do animal. De acordo com a literatura especializada citada no laudo, muitos casos de traumatismo craniano não apresentam fraturas, mas ainda assim podem levar à morte.
Os especialistas afirmam ser plausível que o cão tenha sofrido um golpe na cabeça e apresentado piora clínica progressiva até o óbito. Segundo o documento, a evolução do quadro pode variar conforme fatores como idade do animal, intensidade e velocidade do impacto, tipo de instrumento utilizado e resposta individual do organismo.
O laudo também afastou a hipótese, difundida nas redes sociais, de que um prego teria sido cravado na cabeça do cão. Conforme os peritos, esse tipo de agressão deixaria uma fratura circular característica no crânio, o que não foi identificado.
Devido ao avançado estado de decomposição — o corpo estava em fase de esqueletização —, o exame se limitou à análise minuciosa dos ossos remanescentes. Na avaliação, foi observada uma área de porosidade óssea na região maxilar esquerda, considerada de origem crônica e sem relação com possível trauma recente.
Também foram encontrados osteófitos na coluna vertebral, compatíveis com espondilose deformante, doença degenerativa comum em animais idosos e sem ligação com agressões recentes.
Investigação e pedidos de internação
A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente de 15 anos e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Ao todo, oito adolescentes foram investigados. As identidades não foram divulgadas.
Segundo a corporação, há contradições no depoimento do jovem apontado como autor. Imagens de câmeras de segurança indicariam que ele saiu do condomínio onde mora, na Praia Brava, às 5h25 do dia 4 de janeiro, retornando às 5h58 com uma amiga. Inicialmente, ele teria afirmado que permaneceu no local.
A polícia também sustenta que um familiar tentou ocultar peças de roupa usadas no dia do crime, incluindo um boné rosa e um moletom. O adolescente teria apresentado versões divergentes sobre a origem do casaco.
A defesa de um dos investigados, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, afirmou ao UOL que as apurações são frágeis e não constituem prova suficiente, reiterando a inocência do jovem e alegando não ter tido acesso integral ao inquérito.
O Ministério Público apontou lacunas na investigação e solicitou novos esclarecimentos sobre a reconstrução dos fatos. O órgão também abriu procedimento para apurar a conduta do ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado, Ulisses Gabriel, após receber representações relacionadas à condução do caso. Em nota, ele afirmou estar tranquilo quanto à apuração e disse confiar no trabalho do MPSC.




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